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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS
  21/05/2006
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Almoço com Mestre Artur Emídio
Crônica por Mestre André Lacé em homenagem ao Grande Mestre Artur Emídio de Oliveira
Almoço com Mestre Artur Emídio Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 74 - de 21 a  27 de Maio de 2006

 

André Luiz Lacé Lopes

Jornal do Capoeira - maio/2006

 

"Sei que amanhã, quando eu morrer
os meus amigos vão dizer
que eu tinha bom coração".

 

            Há quem defenda que coincidência não existe, e realmente dá o que pensar receber a notícia que o velho mestre Artur Emídio não anda passando nada bem, no justo momento em que o não menos mestre Nelson Cavaquinho  canta um de seus clássicos - "Quando eu me chamar saudade" Canção feita de parceria com o igualmente grande e saudoso mestre Guilherme de Brito.

 

"Sei que amanhã, quando eu morrer
os meus amigos vão dizer
que eu tinha bom coração.

 

 Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão


Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora"

 

            Artur Emídio, assim como grandes mestres do passado - inclui no seu quadro precário de saúde, problemas nos joelhos.

Artur Emídio, assim como alguns grandes mestres do passado - Bimba, Pastinha e outros -  está tendo um fim de vida injusto com seu talento de atleta e de artista, injusto com a sua extraordinária capoeira, uma das melhores que vi em mais de cinqüenta anos de capoeiragem.

Nada sendo feito, as lideranças não se sensibilizando e objetivando uma efetiva ajuda,  teremos mais um grande mestre baiano (Itabuna!) morrendo na miséria.

Onde estão as inúmeras federações de capoeira do Rio de Janeiro, as ligas fluminenses, a confederação brasileira de capoeira, as organizações internacionais?

Onde estão os políticos sempre prontos a doar camisas e pagar churrascos para eventos efêmeros?

Onde estão os movimentos negros?

Onde estão os "Phds" da capoeira, os mais novos cafetões da Arte (com raras e valiosas exceções, naturalmente)?

Foi durante uma grande exibição de luta, longa décadas atrás,  anualmente promovida pela Escola de Educação Física do Exército (EEDFEx), na Urca, Rio de Janeiro, que conheci Artur Emídio.  Tínhamos sido convidados para mostrar capoeira, capoeira utilitária de Sinhozinho, e lá estávamos, sob comando do inesquecível e destemido Neyder Alves. O entendimento do nosso grupo é que nós seríamos o único grupo a mostrar capoeira, foi até constrangedor, portanto, quando, depois da nossa apresentação (muito aplaudida), um outro grupo adentra o ginásio mas "parecendo uma banda de música". Ocorre que esse grupo fez grande sucesso também, e, na semana seguinte, contrariando meu mestre e muitos camaradas, comecei a treinar no subúrbio a tal capoeira  ritmada. Muito pouco com Artur que andava viajando, mais com um de seus melhores alunos, o também grande mestre Djalma Bandeira, Tempos memoráveis, lá em Olaria (Djalma) e em Bonsucesso (Artur). Em pouco tempo, sempre generoso, Artur começou a me convidar para participar das exibições do seu grupo, todas memoráveis, especialmente uma, no Clube Vasco do Gama (que mereceu quase uma página interia no Jornal do Brasil - 23.12.63), e outra, na Escola de Agronomia do Rio de Janeiro. Sendo mais do que justo e oportuno registrar três outras ocasiões especialíssimas. A primeira, numa garagem em Bonsucesso, quando levei o Artur até o Grupo Bonfim, na época poderoso, e, lá pelas tantas, Artur aceitou dar uma volta do mundo com o igualmente excelente Mário Santos. A impressão que todos tiveram é que o mundo todo tinha parado só para assistir os dois capoeiras jogarem. A segunda, foi durante uma saída de yayo, numa casa de santo em São João de Meriti, rolou um jogo de Artur com Moraes - esse mesmo, Pedro Moreis Trindade - que igualmente devia ter sido filmado. A terceira foi durante o ensaio geral do Skindô, um show que estreou no Copacabana Palace e, depois, percorreu meio mundo (Acapulco, Paris, Nova York etc). Convidado pelo Artur, assisti o ensaio geral na melhor mesa do Copacabana Palace, sua parte, feita justamente com o grande Sancho Pança da Capoeira, Mestre Djalma Bandeira, foi a melhor no Brasil e a melhor por onde eles andaram pelo mundo afora.

Minha experiência pessoal, entretanto, como testemunha dos méritos de Artur, é mínima perto do que ele fez em toda sua vida. Sua academia era visita obrigatória de todo grande mestre carioca, fluminense ou dos demais estados. Todos passaram por lá e muito aprenderam, muitos chegaram até com intuito de "fechar" a academia, mas acabaram saindo encantados elogiando a maestria de Artur e agradecendo sua sempre exemplar  acolhida.

 

 

Artur tem centenas de diplomas e certificados de reconhecimento, dezenas de troféus, o que lhe provocou, certa vez, uma reflexão irônica  muito apropriada: "Se eu levar tudo isso a um supermercado, dará uma cesta básica".

Cesta básica, meus senhores, que alguns mestres adoram oferecer a meia dúzia de pobres durante seus eventos, já ajudar definitivamente um velho e brilhante mestre, "aí, também, será demais"....

Artur ganhou reconhecimento público, através da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e da Assembléia Estadual do Rio de Janeiro, reconhecimento mais do que justo, muito embora particularmente eu entenda que tais reconhecimentos às vezes são ditados por compadrismo barato, interesses comerciais e/u político-eleitorais. No caso de Artur, sem sombra de dúvida, foi justo e dignificou o capoeira e a Capoeira.

 O cd continua tocando fazendo fundo mais do que oportuno para esse texto, difícil até manter uma linha jornalística. Como  o Jornal do Capoeira está sendo lido nos quatro cantos do mundo, será recomendável revelar que disco, afinal, é esse. O problema é que não é apenas um, mas vários, pois montei  um MP3 só com música selecionadas desses grandes mestres: Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito Brito,Candeias, Cartola, Elton Medeiros, Mônaco, Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Silas de Oliveira, Mauro Duarte, Martinho da Vila,,,

 

 

Tirei duas ou três músicas de cada disco, mas - outra coincidência - a canção que está de pano de fundo agora - "Quando me chamar saudade" - é do disco vinil "Quatro Grandes do Samba - Nelson Cavaquinho, Candeia, Guilherme de Brito e meu particular amigo Elton Medeiros. Pois muito bem, desse disco, não aproveitei uma ou duas músicas, aproveitei todas, do partido de entrada, "Não Vem (assim não dá)" , feito por Candeia e cantado por ele, Elton e Guilherme  ao Rita Maloca, de Elton cantada por ele mesmo, passando pelo antológico "A Flor e o Espinho (Nelson, Guilherme e Alcides Caminha). Esse cd pode ser encontrado pelo mundo, façam bom proveito.

Mas voltemos, objetivamente, ao nosso querido Mestre Artur Emídio de Oliveira: Condomínio Vale do  Rio  -  Rua "A" -   Lote 20 - CEP - 25940-000.  Guapimirim / RJ   -  telefone para contato  (21) 9798-1815.

Essa semana, eu e o "velho" mestre Artur temos almoço marcado, lá mesmo em Bonsucesso, perto da farmácia onde tanto trabalhou e perto de uma de suas anti-gas academias.

Quanto a maneira mais descomplicada para ajuda-lo, sem excluir as demais, certamente mais burocratizadas, será colocar um choque, mínimo que seja, num envelope e mandar para esse endereço. Alguém me disse que é proibido, mas tendo em vista a espantosa quantidade de corruptos que, segundo os jornais, vão sendo sistemáticos absolvidos de qualquer crime, creio que não estaremos correndo grandes riscos. No meu caso, para disfarçar um pouco - nunca se sabe - coloquei o cheque entre alguns exemplares de meus livros e já despachei para o Mestre Artur. Em um desses livros, o mais recente, em francês, não por coincidência, escrevo sobre ele:

 

Artur Emidio de Oliveira

à Bonsucesso faisait sensation

les dimanches tous allaient voir le champion

dans son académie de capoeira

Artur Emidio était génial

un maître qu"on ne peut oublier

jouant sans style particulier

ni angola ni régionale

Tous venaient lui demander conseil

pour savoir comment s"améliorer

mais aujourd"hui ça n"est pas pareil

beaucoup préfèrent encore l"ignorer

       


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira



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