| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS


 CRÔNICAS

  17/04/2006
  0 comentário(s)


Breve Relato Histórico da Capoeira nas Escolas de Salvador

Breve Relato Histórico da Capoeira nas Escolas de Salvador Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 69 - de 16 a 22 de Abril de 2006

 

Acúrsio Esteves

Salvador, Bahia

17 de Abril de 2006

 

A introdução da capoeira nas escolas, inicialmente nas públicas, se deu sob a égide do folclore. Professores ligados à área de dança, música, ou artes em geral eram designados para organizar grupos parafolclóricos no Colégio Estadual Severino Vieira, localizado no bairro de Nazaré, que inclusive criou o Centro Estudantil Folclórico (Jornal da Bahia, 1969); Colégio Estadual João Florêncio Gomes no bairro da Ribeira; Instituto de Educação Isaias Alves (IEIA), hoje, Instituto Central de Educação Isaias Alves (ICEIA), no bairro do Barbalho; Colégio Estadual Duque de Caxias no bairro da Liberdade tido como o de maior concentração da população negra da Cidade do Salvador. Também nesses locais a capoeira dividia espaço com outras manifestações folclóricas baianas pertencentes a sua "família", como diria Waldeloir Rego, como o samba de roda, maculelê, puxada de rede e o Candomblé com alguns aspectos estereotipados e estilizados da religião.

Alguns dos coordenadores desses grupos foram a etnomusicóloga Profª. Emília Biancardi, o professor e dançarino King, o aluno de Bimba, Vermelho, dentre outros.

Esses grupos de alunos se apresentavam em festivais escolares, abertura de jogos escolares como a Olimpíada Baiana da Primavera, promovida por órgãos estaduais ligados à área do esporte e Educação Física e até em eventos nacionais como os Jogos Estudantis Brasileiros, promovidos pelo MEC.

Num segundo momento, a abordagem esportiva e educacional ganhou corpo, nos referidos espaços através de mestres de capoeira mais antigos, que também eram professores de Educação Física. Podemos citar dentre eles o Mestre Xaréu, Prof. Dr. Hélio José Bastos Carneiro de Campos, Mestre Saci, Prof. Josevaldo Lima de Jesus, Mestre Aristides, Prof. Aristides Pupo Mercês, sendo este professor, um dos primeiros a ministrar aulas em escolas particulares no ano de 1965, começando na Escola São Thomas de Aquino situada no Bairro do Rio Vermelho. Nessa forma de gestão, a capoeira, agora incluída no currículo escolar, ganha divulgação através de campeonatos estudantis e aos poucos vai ganhando regulamentos cada vez mais complexos para a sua prática desportiva.

As escolas particulares só começaram a quebrar o preconceito da classe média alta contra a capoeira e reconhecer seu valor na formação do indivíduo a partir da década de 80, época em que a introduziram efetivamente em seus currículos. Não obstante sua presença já ter sido efetivada, através do Mestre Aristides, na década de 60 na Escola Tomáz de Aquino, de acordo com depoimento deste mestre especializado em trabalho infantil.

Segundo informação do professor de Educação Física e praticante eventual de capoeira Antônio Luiz Ferreira Bahia, na década de 80 o Colégio São Paulo, notadamente de elite, teve a presença do Mestre Boa Gente para ministrar aulas aos seus alunos. Negro de origem humilde e sem formação de professor de Educação Física, Mestre Boa Gente carregava consigo o estigma dos preconceitos racial e social (negro e de origem humilde), além disso, era praticante da Capoeira Angola. Esta, na época, estava retomando o caminho do crescimento e reconhecimento social através do trabalho dos Mestres Cobrinha Verde e Moraes, pois tinha pouca visibilidade na mídia. Razões como essas poderiam concorrer para que Mestre Boa Gente fosse preterido em favor de um praticante da Capoeira Regional. Isso felizmente, a bem da diversidade, da tolerância, da cidadania e da evolução das instituições, não aconteceu.

Inicialmente a capoeira só podia ser praticada por alunos de maior idade. Hoje ela já pode ser praticada desde a educação infantil, e tem um número expressivo de adeptos. Dentre outras, na escola de educação infantil Gurilândia, situada no Bairro de Ondina, sua prática é oferecida a cerca de 250 alunos de um universo de 400, na faixa etária de 4 a 7 anos, algo em torno de 60% do total de alunos.

Quando ainda funcionava na Barra Avenida, na década de 70, a Profª Vera Teixeira, diretora da então pré-escola, numa atitude ousada, ofereceu a arte "marginal", dos freqüentadores do cais dourado e dos botecos de cachaça a sua clientela de classe alta. Nesta época ela começou indicando a sua prática a alunos com problemas motores, quando ainda não dispunha de um profissional da área na sua escola. Num segundo momento, terceirizou os serviços do Mestre Aristides e mais recentemente contratou o Mestrando Sabiá que com sua equipe que lá realiza um excelente trabalho.

Mestre Boa Gente ministra aulas no Colégio São Paulo em Salvador. Seu trabalho é um marco na história da capoeira escolar.

 

Ilustração: Mestre Boa Gente, Chan & Mestre Bamba
 


   O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, de onde foi retirado este fragmento de capítulo.

    Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743 - acursio@oi.com.br, acursio1@terra.com.br


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira







Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS
Busca em

  
1050 Notícias