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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  01/05/2006
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Campina Grande :: Capoeira Terra Firme

Monitor Bega Pequeno, da Associação de Capoeira Terra Firme, faz a sociedade de Campina Grande render-se à Capoeira

Campina Grande :: Capoeira Terra Firme Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 71 - de 30/Abril a 06/Maio de 2006

 

Benedito dos Santos

João Pessoa, Paraíba

20 de abril de 2006

 

        O monitor Bega Pequeno, no último dia 08 de abril, conseguiu a proeza de lotar o Teatro Municipal Severino Cabral na cidade de Campina Grande na Paraíba, contando com a presença de vários nomes da capoeira paraibana: mestres Lima e Zunga, de João Pessoa, Raposão e Sabiá de Campina Grande e mestre Hulk, do Rio de Janeiro. Mestre Hulk (Sidnei Gonçalves Freitas) é o coordenador geral da Associação Capoeira Terra Firme. Além dos mestres, o evento contou também com a presença de vários contramestres, professores, instrutores e monitores.

E foi com esse clima de irmandade e confraternização que o monitor Pequeno recebeu o Jornal do Capoeira, durante o Segundo Encontro Nacional de Capoeira Terra Firme.

 

JOC - Pequeno,  esse evento envolvendo esses alunos especiais da APAE, corresponderam com suas expectativas?

Monitor Pequeno -  "Com certeza, foi a prova de que a capoeira tem uma força muito grande, não só nas partes esportiva e cultural, mas na parte de reabilitação e de inclusão social das pessoas em vários aspectos, tanto da parte dos deficientes físicos, quanto da parte de inclusão das pessoas em situação de risco. Para nós, da organização, este evento foi ótimo!".

 

 

           

JOC -  Qual será agora o próximo passo?

Pequeno - "Nós estamos fundando, aqui em Campina Grande, a U.C.P.B. - União dos Capoeiras do  Planalto da Borborema -, onde estamos firmamos parceria com a Prefeitura Municipal para inserir a capoeira em 40 escolas da rede municipal do ensino fundamental. E uma das escolas de que vou desenvolver o trabalho deve ser a APAE. Vai ser muito boa esta parceria, uma vez que eu já estou engajado em um trabalho com a APAE, mas como voluntário. Lá eu estou com uma turma, uma vez por semana.

 

 

Mestre Hulk (Rio!) durante o evento em Campina Grande

 

JOC - Você sente alguma dificuldade em desenvolver esse trabalho aqui em Campina Grande?

Pequeno - "Sim, sinto. É falta de apoio mesmo, a falta de apoio da iniciativa privada e dos órgãos públicos. Porque as pessoas têm uma mentalidade que a capoeira ainda é aquela capoeira do Século XIX, da marginalidade, do tumulto. Eles ainda não perceberam que nossa capoeira hoje é outra, que nossa Capoeira é voltado para a educação e para a inclusão social!" Enfatizou Pequeno

 

JOC - Como a sociedade Campinense vê a realização desse trabalho de vocês com a Capoeira?

Pequeno - "Eu tive uma grata surpresa com esse trabalho, pois as pessoas se emocionam... Porque nós temos alunos com "Síndrome de Down", tem jovens com paralisia cerebral, cadeirantes, inclusive cadeirantes que não saiam das  suas  cadeiras de roda. E você mesmo pode presenciar que eles já descem da cadeira de roda e jogam capoeira, cada um dentro da suas condições. E eu vejo que a capoeira resgata a auto-estima, principalmente deles, pois ela trabalha a coordenação motora, o equilíbrio, a força... Na verdade a idéia do nosso trabalho com crianças especiais, não só em Campina Grande na APAE, como o trabalho do mestre Raposão na FUNAD em João Pessoa, o trabalho do mestre Hulk no Centro Rosa Azul no Rio de Janeiro, é usar a capoeira para melhorar a qualidade de vida dessas crianças. Temos conseguido atingir nossos objetivos, e isto é muito gratificante, tanto para nós, quanto para a sociedade". Explicou emocionado o monitor Pequeno

 

 

Da Esquerda para a direita, em Pé: M.Raposão, Cm. Raposa, M. Hulk, Cm. Nenê, Prof. Tibério

André Angola, Casinha e Pantera. Contramestres Lobo Branco e Galo, M.Zunga

Profs. Coiote, Severo e Maromba. Agaixados estão Monitor Bega Pequeno,

Cm. Zimbelê, Mestre Sabiá, Profs. Ligeirinho e Cuzcuz & M. Lima

 

JOC - Pequeno, como você vê esse mito que existe hoje na capoeira com relação a violência?

Pequeno - "Hoje eu já sinto que a Capoeira em Campina Grande está bem diferente, pois ela passou por uma fase em que a violência imperava em todas as rodas, tendo inclusive problemas sérios.... Mas felizmente parece que as pessoas entenderam, os capoeiristas entenderam que a gente só perde com isso. A sociedade já tem incorporada nela muita discriminação secular com a capoeira. Os capoeiras tem que perceber - muitos já perceberam - que estamos no Século XXI, e temos que ter um pensamento diferente, as coisas estão mudando, as pessoas estão se unindo, e a capoeira vive um novo momento. Você mesmo pôde observar que durante o evento haviam quinze grupos presentes, dos mais diversos estilos, e todos trabalhando em prol de nossa arte. Tanto a Capoeira como os capoeiras só tem a ganhar com isto". Exemplificou Pequeno

 

 

Apresentação especialíssima das princesas da APAE Campina Grande

durante a abertura do 2o. Encontro Nacional Capoeira Terra Firme

Teatro Municipal Severino Cabral - 08 de abril de 2006

Campina Grande - Paraíba

 

JOC - E a Capoeira Enquanto Cultura?

Pequeno - É muito forte, é muito forte porque se trabalha muita coisa. Durante o curso ministrado pelo mestre Hulk, a gente pode ensinar matemática com a capoeira, pudemos ensinar história com a capoeira, a história do povo negro no Brasil, a história da África que está presente no nosso dia-a-dia, além do lado musical, que é riquíssimo. Outro dia realizamos uma oficina de berimbaus no Jardim Continental. Um de meus alunos fez dois instrumentos, levou em uma loja situada na região central de Campina Grande e vendeu por vinte reais cada. Ele voltou para a academia com seus quarenta reais em mãos, dizendo: "professor isso aqui foi o maior dinheiro que eu vi na vida, e foi capoeira que me deu...". Falou Pequeno.

 

 

Mestre Lima, Mestre Sabiá, Mestre Zunga, Cm. Lobo Branco,

Prof. Coiote, Mestre Hulk & M. Raposão

 

 

JOC - Seu recado para os capoeiristas da Paraíba, do Brasil e do Mundo!

Pequeno - "Que os capoeiras dêem menos valor ao logotipo, a bandeira dos grupos e pensem na capoeira como um todo, sem se apegar à logomarca, à estilo... Pensem no crescimento da capoeira como um todo, que a gente precisa disso!".

 

Bené - João Pessoa - PB

benezumbi@yahoo.com.br

Correspondente do Jornal do Capoeira

 

Agradecimento especial à camarada Sandra, pelas digitalizações das fotos.

Nota da primeira ilustração: Mestres Hulk, Catitu, Raposão, Maurão & Bega Pequeno (abaixado)


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira







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