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Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br
Edição 69 - de 16 a 22 de Abril de 2006
Barra do Corda, Maranhão
16 de abril de 2006
Como já comentamos aqui, nós da coordenação do GABA, Irapuru Pereira e Samuel Barros, somos coordenadores de "gaiatos". Topamos compor o Grupo com uma figura que com certeza não vamos esquecer, o Juracy Sodré. Ele conseguiu arregimentar alguns capoeiras de Barra do Corda que estavam afastados da atividade por falta de alternativa, mas teve que partir da cidade, por motivo de trabalho, um mês depois que o grupo foi formado. Então Samuel e eu, que havíamos entrado no GABA somente para vadiar, nos vimos com a importante missão de não deixarmos a chama da idéia apagar.
A primeira dificuldade que enfrentamos foi entre nós mesmos no tocante ao preparo para assumir o trabalho. Muito embora Samuel seja um exímio capoeira, com muitos anos experiência na arte e com tradição na família (um irmão é mestre no Pará e outro é contramestre na Bahia) e eu um estudante apaixonado pela história e pelos rituais de nossa arte, não dispúnhamos de "graduação" ou vinculação com um "grande grupo" que nos servisse de referência. Mas com o apoio de outros camaradas e principalmente com o incentivos de nossas companheiras, sempre elas, enfrentamos a parada e tocamos o barco em frente, nos lembrando que a Capoeira é anterior aos mestres e que é ela que faz os mestres, e não o contrário.
O segundo e maior desafio, que perdura até hoje, é referente ao imaginário que as pessoas desta região do Maranhão têm sobre a Capoeira. Até o aparecimento do GABA o que se conhecia por aqui era a Capoeira chamada de "contemporânea": jogo ligeiro, corda, disciplina arraigadamente militarizada, saltos e acrobacias em detrimento da ginga e do jogo e até agarrões do jiu-jitsu.
Índio Pedro Guajajara vadiando no GABA
Notoriamente os valores adotados pela Capoeira Angola muito se diferem disso, e a princípio chegaram a ser rejeitados até mesmo por integrantes do GABA que abandonaram nossa proposta. Mesmo assim, não tivemos dúvidas, embora não tivéssemos tradição e bases sólidas na Angola, procuramos insistentemente vive-la da forma mais intensa possível e para isso tivemos o importante incentivo de Mestre Patinho e Nelsinho do Laborate. Os resultados de nossa empenho já são visíveis, nossa oficinas de Capoeira Angola são lotadas (sucesso de público, fiasco de bilheteria), sendo vários os convites para ministramos oficinas nas escolas da cidade.
E atualmente tivemos a adesão de vários Índios Guajajaras, famosos pela facilidade que eles têm na prática da Capoeira, a fama tem sido confirmada e quem vê um guajajara iniciante jogar, pensa que ele está na capoeira há muito tempo.
Recentemente a APAE
de Barra do Corda-MA, onde também fazemos oficina de Capoeira com
crianças especiais, nos cedeu um prédio para funcionarmos. Este
apoio logístico da APAE nos veio em boa hora, pois estávamos há mais
de dois meses sem espaço fixo para desenvolver os trabalhos. O
"Muquiço - Portal da Alegria", como o espaço foi carinhosamente por
nos batizado, é uma construção antiga que estamos reformando com
doações de amigos e com o trabalho dos participantes do GABA em
regime de mutirão.
Não sei se estamos "blasfemando" ou não, mas nossa Capoeira também está em construção em sistema de mutirão, cada Capoeira do GABA é chamado a dar sua contribuição. Sempre conjecturamos: "não foi a socialização dos conhecimentos sobre a Capoeira, que possibilitou ela sobreviver ao período da escravidão e da repressão?".
Será se a Capoeira tivesse sido reserva de conhecimento de algumas "cabeças" num período em que costumeiramente se cortavam cabeças, ela teria chegado até nós? Tais indagações certamente têm servido de alento para que possamos prosseguir em nossa caminhada, contudo deveriam ser levadas em consideração por toda comunidade capoeirística, principalmente por aqueles que defendem a mensuração e quantificação de nossa vadiagem.
Irapuru Iru Pereira - irapuruiru@hotmail.com
Grupo Angoleiros da Barra - GABA
Barra do Corda - Maranhão
2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira
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| Leopoldo Gil Dulcio Vaz - 17.4.2006 22:07:41 Iru Alencastro em "o trato dos viventes" fala sobre a Rainha Ginga ... e a reconquista da africa pelos portugueses aos holandeses passa pela historia do Maranhao; foram os maranhenses que reconquistaram a africa aos holandeses para Portugal; junto com os exercitos lusitanos, indios maranhenses - 5000 - que se bateram com os gingas ... acredito que a "guerra de guerrilha" dos timbiras tenha algumam influencia no aparecimento da capoeira ... gingas foram trazidos para ca, como escravos ... quanto aos timbiras, nao se tem noticias se voltaram ao Maranhao ... os gingas temiam os timbiras ... por ora, chega ... Leopoldo |
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