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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  02/08/2005
  1 comentário(s)


CAPOEIRA ITÁLIA & BRASIL

Artigo de André Luiz Lacé Lopes, falando sobre a Capoeira na Itália e no Brasil: Federação Italiana de Capoeira; Mestre Coruja; Consulado Geral da Itália no Brasil e Mestre Pinatti

CAPOEIRA   ITÁLIA  &  BRASIL Nova pagina 1

André Luiz Lacé Lopes

Jornal do Capoeira, set / 2005

 

A Federação Italiana de Capoeira, nos dias 16 e 17 de julho, realizou em Orvieto, cidade medieval, a qual já tive o prazer de visitar,  o II Segundo Encontro Internacional de Capoeira. 

O evento teve alguns desdobramentos, na cidade de Vitorchiano onde o instrutor Mosquito (Davide Lupdi)  comanda um núcleo de capoeiras, e na cidade de Nápoles.

Para quem está entrando agora na Roda, algumas informações preliminares se fazem necessárias:

1.                          A Federação Italiana de Capoeira, existe real e formalmente (ao contrario da grande maioria "organizações" de capoeira que são apenas imaginárias, verdadeiros castelos de areia), e é presidida pelo economista Edgardo Santaniello, mais conhecido, no mundo da capoeira, como Mestre Coruja.

2.                          O Mestrado de Coruja, na minha opinião, foi antológico. Um belo exemplo de como se deve realizar um mestrado internacional. Como não poderia deixar de ser, a primeira "banca" de mestrado foi constituída única e exclusivamente pelo seu próprio mestre (Mestre Canela), na cidade histórica de Viterbo -  La "Città dei Papi" -  (o que na Itália, na Europa, não é histórico?), onde os dois moram. Mas a confirmação do mestrado foi feita no Brasil, no Rio de Janeiro, mais especificamente no subúrbio do RIO.  E nem poderia ser de outra forma, posto que é zona de bamba e onde seu Mestre Canela aprendeu a jogar.

2.1                                    Banca de Mestrado. Uma vez na Cidade Maravilhosa,  Edgardo Coruja, sob a coordenação da Federação de Capoeira Desportiva do Rio de Janeiro, após  cumprir extenso programa de visitação (Bibliotecas especializadas em Capoeira, roças e rodas),   foi sabatinado por meia dúzia de mestres. Ocasião em que teve, não apenas de responder a longa série de perguntas sobre a História e os Fundamentos da Capoeiragem, como teve também que tocar todos os instrumentos, cantar ladainhas e corridos históricos e apresentar alguns de sua autoria.  O teste final foi jogar, simplesmente, com todos os mestres presentes. Passou em tudo com distinção.

2.2                                    Consulado Geral da Itália no Brasil.  Mas não ficou só ai, seu mestrado. Graças à cooperação do Professor Alfredo Apicella, representante do CONI no Brasil, Mestre Coruja recebeu seu diploma de mestre, em emblemática solenidade no salão nobre do Consulado. Diretamente das mãos do Sr. Cônsul Geral.

Repito, na minha opinião, assim deveria ser toda solenidade internacional de mestrado.

 

3.                          Capoeira ítalo-brasileira em Geral. Além do trabalho pioneiro, plantado pelo Mestre Canela e que vem sendo extraordinariamente bem desenvolvido pelo Mestre Coruja, a Itália apresenta um dos melhores quadros capoeirísticos da Europa. Dezenas de grupos independentes que, pouco a pouco, vão-se chegando à Federação, percebendo a importância de um trabalho de união, em torno de uma boa bandeira.

3.1                                    Mestre Djalmir Pinatti.  O paulista ítalo-brasileiro Pinatti, um dos mais velhos e respeitados mestres brasileiros, já está em sua segunda visita à Itália, realizando interessante e promissor trabalho de estreitamento capoeirístico.

3.2                                    CONI/ Brasil. Evidentemente, Professor Alfredo Apicella  vem acompanhando todo este trabalho, muito atentamente, já alimentando a possibilidade de promover projetos de intercâmbios entre Itália e Brasil.

 

Feita esta importante preliminar, agora sim, vamos ao II Encontro Internacional de Capoeira, recentemente promovido na Itália.

Além da grande  cerimônia de batismo (promoções de alunos), foram realizadas várias oficinas de capoeiras, todas elas sob a "batuta" de Mestre Zé Maria (Grupo ZEMA), que deixou seu  Bairro de Bonsucesso, no subúrbio do Rio, para fazer mais sucesso na Itália. A presença de Zé Maria atraiu outros mestres, como foi o caso de Mestre Chita (Elisio Fernandes), carioca, aluno do Mestre Dentinho, que dá aula na cidade de Torino,  e de Renato Lucandri, ex-capoerista, instrutor de defesa pessoal.

Atraiu, também  presença de mestres de outras lutas, como  Mestre Sui Yunjiang, aluno dos grandes mestres Li Ziming e Han Qichang, 4ª geração do estilo bagua zhang e 8ª do 18^ meihua zhuang. Atualmente, o mestre chinês está dando aula na cidade de Pechino.

Mestre Canela prestigiou o evento e pelo evento foi prestigiado.

 

Mestre Zé Maria em suas palestras e oficinas , falou, não apenas sobre a História e os Fundamentos da capoeiragem, como, também, na cultura popular afro-brasileira em geral, com especial ênfase nas manifestações populares mais aparentada com a capoeirada, como é o caso, do samba, batuque, pernada, samba duro, samba de roda, jongo, maculelê etc.  Além de falar, evidentemente, Mestre Zé Maria deu demonstrações práticas, com grande competência,  abrindo novos horizontes para todos que participaram de suas aulas.

O II Encontro incluiu, também uma "esticada" à Nápoles, mais precisamente no bairro de San Giorgio a Cremano - Ponticelli, para um encontro na Academia de Alfredo Apicella, com direito a típico e farto almoço napolitano em sua casa.  Experiência que também tive a honra de ter, e que foi especialmente enriquecida por uma caixa de "partagás" que me foi oferecida por um de seus alunos, não-fumante e recém chegado de Cuba.

Na ocasião, Professor Apicella  sugeriu algumas excelentes idéias e colocou-se à disposição para ajudar, no que fosse possível,  na intensificação de um intercâmbio capoeirístico unindo ainda mais Itália e Brasil.

 

De volta a Vitorchiano, uma grande confraternização final foi realizada no restaurante "La Grotticella", que ofereceu uma taça de  prosecco  (Prosecco italiano Zonin Brut ) a todos os presentes.

            Mestre Coruja já está trabalhando em vários outros projetos e eventos. Sem dúvida, volto a repetir, bom exemplo para as demais federações nacionais de capoeira (inclusive a brasileira).

 

 






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