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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS
  28/08/2005
  1 comentário(s)


CAPOEIRA LUTA - DEBATE ABERTO E FRANCO
Crônica por Andre Luiz Lacé Lopes, tendo-se como foco a Capoeira Luta. Afinal, a Capoeira é ou não uma luta/arte marcial?
CAPOEIRA LUTA - DEBATE ABERTO E FRANCO Jornal do Capoeira www

Jornal do Capoeira www.capoeira.jex.com.br

Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005

 

Nota do Editor:

 

Prezados leitores,

Para definir a paginação deste modesto jornal, evidentemente, tive que fazer algumas opções para dividi-lo em seções. O mesmo desafio enfrenta quem vai publicar um livro: qual será a melhor maneira de estruturá-lo. Também passei a enfrentar este problema agora em função do meu livro "Jornal do Capoeira", uma seleção de matérias até hoje publicadas, e que conta com artigos e crônicas de autores que escrevem para nosso jornal.  Pouco a pouco vou tentando definir o que poderia ser tomado como pontos e questões nucleares da Capoeira. Já pinçamos um - A Negritude na Capoeira. O sucesso foi tanto que tivemos que estender o prazo para envio de matérias. A bem da verdade, temos excelentes contribuições sobre tal tema a serem também publicadas.

Outro ponto que todos discutem e me parece realmente relevante é a Capoeira Luta.  Quem defende que um tipo de Capoeira é mais EFICAZ do que o outro, estará dizendo exatamente o quê?

Será que a supremacia de um tipo de Capoeira só possa ser provada dentro de uma Roda de Capoeira e contra outro tipo de Capoeira?

Sendo as duas ineficazes frente a uma outra luta qualquer?

Ou será que existe um tipo de capoeira realmente superior aos demais tipos de capoeira, e, também a toda e qualquer outra modalidade de luta (jiu-jitsu, boxe, judô, savate, vale-tudo etc)?

Neste caso, porque os campeões deste tipo de capoeira superior não estão nos confrontos internacionais de Vale-Tudo ganhando milhares de dólares e euros?

Ganharão mais dando aulas, promovendo festas de cordéis e shows de palco?

E quanto ao argumento que capoeira não é luta de ringue?

 

 

Numa típica Roda de Capoeira o capoeira-lutador ganharia de qualquer outro luta (jiu-jitsu, vale-tudo etc)?

Mestre Bimba, em Salvador, chegou a desafiar lutadores de outras lutas; alguns de seus alunos, no passado, chegaram a enfrentar lutadores de outras lutas; presentemente, vários mestres da regional treinam também outras lutas, como podemos projetar esta dinâmica para o futuro?

Deverá a Capoeira continuar a crescer na sua forma de Luta?

Ou deverá a Capoeira voltar as suas sábias origens afro-brasileiras?

Neste caso, o que será ser "mais eficaz"?

Há resposta para tudo, mas a grande verdade é que esta questão vem sendo discutida, cada vez mais, e sem medo da verdade. Pois a Capoeira está muito acima disto.

O Artigo "Roda de Capoeira nas Bibliotecas", de André Lacé, reacendeu esta discussão, tornando propícia a republicação de mais dois de seus artigos publicados no livro "A Volta do Mundo da Capoeira" (Editora Europa, Rio de Janeiro, 460 páginas, 1999): "CIRÍACO,  HERMANNY,   ARTUR   E HULK"  e "O   VALE TUDO,    MESTRE HULK   E   A  TGA". Originalmente, ambos artigos foram publicados no Jornal dos Sports (RJ), o primeiro no dia 3 de dezembro de 1995, o segundo em 21 de dezembro de 1995.

         A seguir, o primeiro artigo mencionado:

 

                        Miltinho Astronauta

 


 

CIRÍACO,  HERMANNY,   ARTUR   E HULK

André Luiz Lacé Lopes

 Jornal dos Sports - Rio

03 de Set. l995

 

                 Francisco da Silva Ciríaco, mais conhecido como Macaco Velho, nascido em Campos, foi um dos mais afamados capoeiristas na Cidade do Rio de Janeiro, na virada do século 19 para o 20.  Era o mestre preferido pelos acadêmicos de medicina, fenômeno que se repetiu na Bahia, décadas mais tarde, com  Mestre Bimba.  Foram esses estudantes que insistiram no confronto da Capoeira (Macaco Velho) com o jiu-jitsu (Sada Miyako, campeão japonês). Evento que acabou ocorrendo, no  dia 1º de maio de  1909, com um  fulminante desfecho:  aplicando um literalmente surpreendente   rabo-de-arraia,  Ciriaco encerrou a luta em alguns segundos.

            Mesmo existindo uma versão - jamais comprovada - de que Ciriaco teria utilizado um recurso, digamos, de rua, mesmo assim, luta é luta, vale-tudo é vale-tudo, e ninguém jamais poderá negar o mérito da vitória.

               Tanto assim, que Mestre Ciriaco  saiu vitorioso do Pavilhão Internacional Paschoal  Segreto, com o povo cantando pelas ruas "a Ásia curvou-se ante o Brasil". No dia seguinte, a Capoeira foi notícia em quase todos os jornais, valendo registrar, por oportuno, a ocorrência de algumas redações cautelosas, quase envergonhadas da própria cultura brasileira, como a nota do Jornal do Comércio (02.05.1909, pág. 7):  "O sportman japonez do tão apreciado jogo jiu-jitsu foi hontem vencido pelo preto campista Cyriaco da Silva, que subjugou o seu contendor com um passo de capoeiragem".

                 A nota, curiosamente, não menciona o nome do "sportman" perdedor.  Mais adiante, entretanto, no mesmo jornal  garimpei  o seguinte anúncio:  "JIU-JITSU: Mr. Sada Miyako, professor contratado para leccionar na marinha brasileira encarrega-se de dar lições particulares a domicílio. Cartas para a Rua Gonçalves Dias n. 78 ou para a Fortaleza de Willegaignon"...

                Ou será que a nota, de modo até sutil, protesta a respeito do tal recurso de rua acima levemente mencionado?

               Décadas se passaram, estamos agora, no final dos  anos 40, com  a capoeira utilitária de Sinhozinho  (Agenor Moreira Sampaio)  ressurgindo, subindo aos  ringues e colhendo  vitórias  significativas.  Valendo relembrar os confrontos do jovem Rudolf Hermanny com  alunos do Mestre Bimba (Perez) e dos Gracie (Guanair). Nesta mesma época, Artur Emídio de Oliveira, um dos mais talentosos capoeiristas que vi  jogar, deixa sua Itabuna, na Bahia, e vem para o Rio disposto a divulgar sua arte em qualquer arena. Realiza uma série de lutas, vence algumas, perde outras (inclusive para o Hermanny), mas deixa, sem sombra de dúvida, um exemplo de coragem para os capoeiras-lutadores  e, também, escreve seu nome na História da Capoeira.

        

            Mais algumas décadas se passaram, quase meio século, estamos agora nos dias de hoje.  Mestre Hulk acaba de vencer, valentemente, o I Tira-Teima Nacional de Vale-Tudo.  Já no tempo do nosso saudoso e famoso  Sinhozinho (Ipanema, RIO), que formou um respeitável número de "brigadores de capoeira", discutia-se até onde a Capoeira poderia ser eficaz   no  enfrentamento  com  outras lutas, recolocando, portanto, a questão da capoeira ser ou não ser uma "luta marcial".         

            Já no tempo do nosso saudoso e famoso  Sinhozinho (Ipanema, RIO), que formou um respeitável número de "brigadores de capoeira", discutia-se até onde a Capoeira poderia ser eficaz no enfrentamento com outras lutas.

             Reascende-se a discussão.    Discussão que, fatalmente, ensejará algumas questões preliminares. Como por exemplo, que tipo de Capoeira joga Mestre Hulk, quem foi o seu mestre, joga angola ou regional (aliás, uma falsa dicotomia), que golpes de capoeira mais utiliza em suas vitórias?

              Devo adiantar que não acho uma "traição", neste tipo de combate vale-tudo, utilizar recursos de outras lutas. Todos fazem isto, inclusive o jiu-jitsu, não há outra alternativa. Será desejável, entretanto, que a base técnica do cada lutador não fique irreconhecível.

             No caso em tela - Mestre Hulk - ficou clara sua base capoeirística.

            Vendo e revendo o teipe da sua luta final, analisando a troca de socos com o campeão de jiu-jitsu Amaury  Bitetti, não tenho dúvida que Hulk utilizou, inconscientemente que seja, a incrível noção de distância e de tempo que a Capoeira permite desenvolver . Valendo registrar, ainda, a grande diferença entre um mestre de capoeira que joga e luta e os "mestres" estilizados que lutam quando é para jogar e dançam quando é para lutar (sempre em palcos, jamais em ringue).

            A discussão está aberta.

            Ficando claro, desde já, que o Sr. Sidney Gonçalves Freitas, Mestre Hulk (foto), com o seu talento e com sua valentia, já colocou seu nome na História da Capoeira  do subúrbio do Rio (Rocha Miranda!), do  RIO/RJ e do próprio Brasil. Que outros bons exemplos apareçam; ou capoeira não é, "também", uma luta marcial?

 

 

Do Livro "A Volta do Mundo da Capoeira", de André Lacé. Com base no artigo publicado no Jornal dos Sports, Rio (03, set. l995) e republicado, em jan/2001, no site do CONI/BRASILE/AICS.

 




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