| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS


 CRÔNICAS

  15/01/2006
  0 comentário(s)


CAPOEIRA NAS ELEIÇÕES GOVERNAMENTAIS

Crônica de Mestre André Lacé sobre tema muito oportuno para este ano de 2006: A participação da Capoeira e dos Capoeiras na política e nas eleições

CAPOEIRA NAS ELEIÇÕES GOVERNAMENTAIS Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 56 - de 15/Jan a 21/dez de 2006

 

André Luiz Lacé - jan/2006

 

Não há mestre de capoeira que, em suas aulas, palestras e pequenas saudações durante uma roda não mencione a importância da capoeiragem nos processos eleitorais no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, capital federal durante muito tempo.

Por isto, sempre que posso, peço aos mestres em tela que aprofundem mais o assunto. Silêncio profundo. Depois da primeira frase, poucos sabem alguma coisa a mais. Lembram a brava participação dos capoeiras "voluntários" na Guerra do Paraguai; quando muito, lembram também a mobilização dos capoeiras, feita pelo próprio Governo, para "enquadrar" um batalhão de mercenários europeus que se rebelara. Claro, alguns mestres, vítimas de marketing fantasioso intenso, mencionam rodas de capoeira fascinantes nos Quilombos dos Palmares e outros quilombos, até no Quilombo do Leblon (RIO).

Que, fique logo claro, há exemplo dignificantes da presença da capoeira na História do Brasil, mas não estaria na hora de esclarecer melhor boa parte desta história?

 

 

Rio Antigo, Capital Federal,

capoeiras e os políticos, apoio ideológico?

 

Apenas boa parte, pois, como sempre lembro, a História inteira e verdadeira do Mundo (e da Capoeira) ninguém jamais saberá.

Tais reflexões estão relacionadas ao meu recente artigo "Capoeiragem 2006", onde faço preâmbulo tecendo breves considerações sobre a grande farsa que ronda todo ano eleitoral. Não apenas no Brasil, registre-se, mas pelo mundo afora.

O artigo despertou o interesse de alguns poucos capoeiras e, também, de não-capo eiras, todos eles preocupados em mergulhar mais fundo nesta momentosa questão.

Acredito que poderíamos resumir o quadro geral - Capoeiragem nas Eleições Governamentais - da seguinte maneira:

1. No passado os capoeiras se engajavam, neste ou naquele partido, nesta ou naquela facção política, não tanto por razões próprias, de fundo ideológico, mas por algum tipo de acordo monetário e promessas típicas de ano pré-eleitoral (perdão de eventuais "pecados", emprego etc). Até mesmo a famosa Guarda Negra não fugiria a esta regra.

2.  No presente, o interesse comercial é ainda mais gritante. A grande maioria das lideranças dos capoeiras, com raras e honrosas exceções, não tem a menor noção do que seja cidadania militante. Entendem que promover eventos com a exigência de um quilo de alimentos para o pobre "da esquina" é gesto dos mais virtuosos que, somados, salvarão o Brasil da fome e da miséria.

Para tanto, tudo que querem saber é onde há verbas públicas, qual o "departamento", deste ou daquele governo, está liberando verbas para a capoeira; qual o deputado ou candidato a deputado que está oferecendo viagens, camisas e/ou pagando churrascos.

Se o governo que patrocina paternalisticamente este ou aquele projeto de capoeira desviou bilhões de reais dos cofres públicos isto é irrelevante. Mesmo considerando que esta quantia, mais do que as sacas de alimento pateticamente arrecadadas pelo mestre durante eventos casuísticos e efêmeros, poderiam matar a fome do brasileiro, acabar com o miserável, construir hospitais, escolas públicas, promover treinamentos profissionalizantes, conjuntos habitacionais (tecnologia da escassez) para os de pouco renda, saneamento etc etc.

 

Pois muito bem, estamos em Ano Eleitoral, mais uma vez a bonita versão de alguns capoeiras será testada (Capoeira é História do Brasil...), vamos ver o que vai acontecer.

Da minha parte, não tenho dúvida, a exemplo de boa parte do empresariado, os capoeiras acenderão uma vela para Deus e outra para o Diabo.

Ou seja, apoiarão a todos os candidatos e partidos e adularão os vencedores, justamente os que, amanhã, estarão distribuindo verbas públicas para seminários, congressos, workshops, viagens, camisas, churrasco etc.

Não era tanto sim. O embraquecimento & aburguesamento da capoeira é que pintou e agravou este quadro. Basta citar um exemplo, de passado até recente, que testemunhei: o quanto Mestre Pedro Moraes foi muito discriminado por ter a ousadia de manter posição ideologicamente independente dos eternos donos do poder.

 A esta altura, algum capoeira-leitor poderá estar reclamando: "se os demais esportes não tomam posições políticas desta ordem, porque eu estaria querendo vender este peixe logo para a Capoeira e os Capoeiras?

Ora, porque as lideranças capoeiras, em seus discursos, defendem, aliás, muito acertadamente, que Capoeira é muito mais do que um "simples" Esporte. Defendem que a Capoeira é Arte, Religião, Filosofia, História do Brasil, cidadania militante etc. Concordo plenamente e escrevo sobre isto há quase cinqüenta anos.

Daí este artigo.

E a pergunta: desta vez, nas eleições de outubro/2006, será diferente?

Boas soluções para este impasse não faltam.

 

            André Luiz Lacé

 


Nota das ilustrações: 1) Mestres João Grande & André Lacé vadiando em Nova York; 2) Capoeiras da malta "Flor da Gente" participando da "Política" da época - Século XIX - Rio de Janeiro, então capital federal.

 

2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira







Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS
Busca em

  
1050 Notícias