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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  26/06/2005
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Capoeira no Maranhão

Este é o quinto texto da série, e fala sobre a Capoeira Regional

Capoeira no Maranhão
CAPOEIRAGEM  NO  MARANHÃO

 

CAPOEIRAGEM  NO  MARANHÃO

Parte V -  "Capoeira  regional"

Por LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

 

 

Nota do Editor:

Elogios continuam chegando sobre os textos maranhenses.  Mas, com razão, estamos recebendo, também,  sugestões para não abusar do número de capítulos, até mesmo por ser pouco jornalístico. Concordamos com a crítica e mais ainda com a sugestão. Na realidade usamos o recurso dos capítulos para poder publicar todo o texto do Professor Leopoldo Vaz, o que seria impossível em apenas uma edição.  Daí a divisão que fizemos e explicitamos em número anterior.

Para controle do leitor. que acompanha esta boa novela, explicitamos novamente:

Textos do Professor Leopoldo Vaz

  • Parte I     -    Capoeiragem em São Luis do Maranhão

  • Parte II    -    Afinal, o que é capoeiragem?

  • Parte III   -    Capoeira: Angola ou Regional?

  • Parte IV   -    Capoeira Angola

  • Parte V   -    Capoeira Regional

  • Parte VI  -    A Capoeira "CARIOCA"

  • Parte Especial: Cadastro de Mestres e Contramestres de Capoeira no Maranhão

 Nesta quinta parte, o Professor Vaz, baseado quase que exclusivamente no site   http://www.capoeira.esp.br/  (Capoeira das Gerais, Mestre Mão Branca), faz um resumo da Capoeira Regional. E inicia o trabalho afirmando ter sido Mestre Bimba o autor pioneiro da criação e implantação de um método de ensino para a Capoeiragem. É claro, baseando-se em registros jornalísticos e literários, além depoimentos de velhos mestres, entretanto, podemos também que a Capoeiragem sempre contou com métodos de ensinos. Basta assistir uma aula de um velho mestre, como Mestre João Grande, por exemplo, para perceber a existência e genialidade do seu método de ensino.  E quanto ao misterioso livro de "ODC", publicado em l907, não seria um método de ensino?  E quanto ao livro de Zuma Burlamaqui (1928) -  Gymnastica Nacional (Capoeiragem) methodisada e regrada?

Sem esgotar o assunto, e o método do santista Sr. Agenor Sampaio, Sinhozinho, que tanto sucesso fez no Rio de Janeiro?

Outro ponto que merece especial reflexão,  é a firmação que a Regional é uma luta, com eficiente sistema de ataque e defesa. Não que se negue o mérito da Regional como luta, apenas, jornalisticamente, a história não registra, depois dos confrontos feitos por Mestre Bimba, nenhuma outra comprovação similar. Afora, é claro, os encontros e desencontros informais e, por definição, questionáveis, em rodas livres de capoeira

Mas, como adiantamos logo de início, o longo texto do Prof. Leopoldo Vaz deve ser apreciado exatamente como se aprecia um livro, de ponta a ponta, só desta maneira será possível entender totalmente a obra e dela, conseqüentemente, tirar muito bom proveito.

Valeria, ainda, registrar um terceiro ponto, para ficar só em três, no que tange a definição dada para Batuque ("A luta braba, com quedas..".).  Ora, como se sabe, o Batuque era dançado em várias partes do Brasil. O que significa, como é natural, ainda mais num país-continente como o nosso, eventualmente, o surgimento de estilos derivados.  No Rio de Janeiro, por exemplo, era sim, quase uma luta, cheia de quedas e, às vezes, até morte, mas, era também, na maior parte das vezes, apenas uma dança, e uma dança cheia de sedução, como, aliás, todas as demais.

 Miltinho Astronauta

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CAPOEIRA REGIONAL [1]

Por LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

UEMA - Maranhão

 

O que caracteriza a Capoeira Regional é a sua "Seqüência de Ensino";  uma série de exercícios físicos, completos e organizados em um número de lições práticas e eficientes a fim de que o principiante em Capoeira, dentro do menor espaço de tempo possível se convença do valor da luta, como um sistema de ataque e defesa. A seqüência é para o capoeirista o seu ABC. Ela veio contribuir de maneira definitiva para o aprendizado da Capoeira (in http://www.capoeira.esp.br/ - Capoeira das Gerais, Mestre Mão Branca).

Mestre Bimba [2] foi o sistematizador (criador) da Capoeira denominada de "Regional". Sua maior contribuição foi a criação de um método de ensino, coisa que até então não existia.        "O capoeirista aprendia de oitava", dizia o Mestre. Inicia-se na Capoeira aos 12 anos de idade, na Estrada das Boiadas, hoje bairro da Liberdade, em Salvador, com Mestre Bentinho, Capitão da Cia. de Navegação Bahiana. Nesse tempo, a Capoeira era bastante perseguida e Bimba contava:

"... Capoeira era coisa para carroceiro, trapicheiro, estivador e malandros. Eu era estivador, mas fui um pouco de tudo. A polícia perseguia um capoeirista como se persegue um cão danado. Imagine só, que um dos castigos que davam a capoeiristas, que fossem presos brigando, era amarrar um dos punhos num rabo de cavalo e outro em cavalo paralelo. Os dois cavalos eram soltos e postos a correr em disparada até o quartel. Comentavam até, por brincadeira, que era melhor brigar perto do quartel, pois houve muitos casos de morte. O indivíduo não agüentava ser arrastado em velocidade pelo chão e morria antes de chegar ao seu destino: o quartel de polícia".(in http://www.capoeira.esp.br/).

A essa altura, Bimba começou a sentir que a "Capoeira Angola", que ele praticava e ensinou por um bom tempo, tinha se modificado, degenerou-se e passou a servir de "prato do dia" para "pseudocapoeiristas", que a utilizavam unicamente para exibições em praças e, por possuir um número reduzido de golpes, deixava muito a desejar, em termos de luta. Aproveitou-se então do "Batuque" [3] e da "Angola" e criou o que ele chamou de "Capoeira Regional", uma luta baiana. Possuidor de grande inteligência, exímio praticante da "Capoeira Angola" e muito íntimo dos golpes do "Batuque", intimidade esta adquirida com seu pai, um mestre nesse esporte, foi fácil para Bimba, com seu gênio criativo, "descobrir a Regional". (in http://www.capoeira.esp.br/).

Para Reis (2005), a partir de então se observa uma crescente "baianização" da capoeira brasileira que produzirá a "impureza" das capoeiras de outros lugares, particularmente  daquela praticada no Rio de Janeiro. Para Reis, "... não é possível discutir os motivos da migração do centro hegemônico da capoeira do Rio de Janeiro para a Bahia dos anos 30. De qualquer forma, importa destacar que, se a intelectualidade carioca de princípios do século XX tinha um projeto nacional para a capoeira, será a capoeira popular dos mestres de capoeira baianos que vingará e conformará a esportização da capoeira em todo o país."

 

 

FIM  da Quinta  Parte  (para o Jornal do Capoeira)

 "CAPOEIRA REGIONAL"

 

Próxima (sexta) e  última parte:

A Capoeira "CARIOCA"

 

Obs.: E logo depois - Cadastro de Mestres e Contramestres do Maranhão!


 

[2] Manuel dos Reis Machado, o Mestre Bimba , nascido a 23 de novembro de 1899 no bairro de Engenho Velho, freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Filho de Maria Martinha do Bonfim, e de Luiz Cândido Machado, grande "batuqueiro". Seu apelido, Bimba, ganhou logo ao nascer, em virtude de uma aposta feita por sua mãe e pela parteira que o "aparou". Sua mãe dizia que daria luz a uma menina; a parteira afirmava que seria um homem. Perdeu dona Maria Marinha, e o Manuel, recém-nascido, ganhou o apelido que o acompanharia para o resto da vida. Bimba é, na Bahia, um nome popular do órgão sexual masculino em crianças. (http://www.capoeira.esp.br ).

[3] Batuque - A luta braba, com quedas, com o qual o sujeito jogava o outro no chão.







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