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Início da Quarta Parte (para o Jornal do Capoeira)
"Capoeira Angola"
CAPOEIRAGEM NO MARANHÃO
Nota do Editor:
Neste pequeno capítulo, Professor Leopoldo Vaz limita-se a fazer um resumo e alguns comentários, bem cautelosos, sobre algumas das principais versões que circulam por aí, em artigos, livros, depoimentos e cantos de Capoeira. Algumas versões, em função de uma mídia mais forte, conseguiram maior relevância, a rigor, entretanto, percebe-se que está se aproximando o momento ideal para surgir um trabalho de peso que mergulhe fundo neste tema - Capoeira Tradicional - que é, simplesmente, de vital importância para o pleno entendimento, resgate e prática da Capoeiragem.
E que fique claro, quando escrevemos Capoeira Tradicional, não estamos nos referindo apenas a que, atualmente, atende pelo nome de Capoeira Angola. Tão pouco estamos a negar a dinâmica do folclore, para usar a expressão tão bem trabalhada por Edison Carneiro. Mas isto é outra história, para algum outro artigo.
Concordamos, também, que nesta Parte IV, não houve uma correlação muito forte com o quadro passado ou atual da Capoeira no Maranhão. Entretanto, juntando todo o texto do Professor Leopoldo será possível a razão de cada uma de suas partes. O próprio Cadastro dos Mestres e Contramestres de Capoeira no Maranhão (excelente exemplo para os demais estados) já vem revelando alguma confusão, por parte de alguns mestres entrevistados, ao tentar rotular o tipo de capoeira que pratica e ensina.
CAPEIRA ANGOLA[1]
Não se sabe com certeza a origem da Capoeira Angola; alguns Mestres acreditam ter vindo da África, outros afirmam ter sido criada no Brasil pelos escravos africanos em ânsia de liberdade.
Acredita-se que seja esta a origem, pois ainda não se conseguiu encontrar nada que levasse a crer que a Capoeira Angola fosse africana, apesar de saber-se que em África existia o "Jogo de zebra", ou "N'Golo" que era praticado com bastante violência, fazia parte de um ritual onde os negros lutavam num pequeno recinto e os vencedores tinham como prêmio as meninas da tribo, que ficavam moças. Ainda hoje, existe um ritual semelhante em Katagun, na Nigéria.
Os negros vindos para o Brasil eram, em sua maioria, de Angola. Diziam-nos ser mais ágeis por terem estatura mediana e por isto tinham mais aproveitamento no trabalho e no jogo da Capoeira.
O nome "CAPOEIRA" deu-se pelo motivo dos escravos ao fugirem para as matas. Os senhores mandavam os capitães-do-mato buscarem os escravos, que os atacavam com pés, mãos e cabeça, dando-lhes surras ou até mesmo matando-os, porém os que sobreviviam voltavam para os seus patrões indignados. Então os Senhores perguntavam:
-"Cadê os negros?" e a resposta era: - Nos pegaram na Capoeira", referindo-se ao local onde formam vencidos.
A Capoeira no meio das matas era praticada como luta mortal, já nas fazendas ela era praticada como brinquedo inofensivo, pois ela estava sendo feita por baixo dos olhos dos Senhores de Engenho e dos Capitães-do-mato; e naquele momento se transformou em dança, pois ela precisava sobreviver, uma luta de resistência.
O nome Capoeira Angola surgiu quando o Senhor de Engenho flagrava os negros jogando, ele dizia: -"Os negros estão brincando de Angola". Movimentos muito raros nas fazendas. Com as fugas em massa das fazendas, a Capoeira se afirmava como arma de defesa no meio das grandes matas, onde se situavam os Quilombos. (http://www.capoeira.esp.br)
Hoje quando se
fala de Capoeira Angola, se fala na Capoeira de Mestre Pastinha
[2]. Antes de abrir sua escola, a Capoeira não tinha
uniformização e nem um método de ensino. As pessoas aprendiam de oitiva. As
roupas usadas eram de cor branca ou roupas comuns, alguns até descalço e outros
calçados. Na escola de Mestre Pastinha, tinha um padrão, que era o uniforme
preto e amarelo[3]
e calçado; tinha as suas "Chamadas", as quais ele aprendera com seu mestre, um
africano. Tentou manter os fundamentos da Capoeira que ele aprendeu
com seu mestre, um africano.
Próximo: Quinta Parte (para o Jornal do Capoeira)
"Capoeira Regional"
[1] In http://www.capoeira.esp.br
[2] Vicente Ferreira Pastinha, nasceu em 05 de abril de 1889, em Salvador. Foi o maior nome da Capoeira Angola e hoje é citado como exemplo e referência da Capoeira Angola por vários escritores. Faleceu em 13 de novembro de 1981 e deu muito de si para a Capoeira, mas morreu na miséria, sem ter sequer onde morar. Enquanto viveu para a Capoeira, ele procurou manter os fundamentos da Capoeira Angola e até implantou alguns de sua própria criação. Vale dizer até que ele implantou alguns fundamentos como as "Chamadas" para o passo à dois, as composições dos instrumentos e outros. Escolhendo a Capoeira como a sua maneira de viver, praticou e ensinou a Capoeira Angola por muitos anos e fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola, em Salvador/BA.
Pastinha já foi a África mostrar a nossa Capoeira, no 1° Festival de Artes Negras no ano de 1966, com ele foram também: Mestre João Grande, Mestre Gato, Mestre Gildo Alfinete, Mestre Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi. Divulgou a Capoeira de Angola por quase todo País. Citado nos livros do grande Jorge Amado, Mestre Pastinha apareceu sempre como uma figura carismática.
Outros grandes amantes da Capoeira Angola foram Besouro Mangangá, Valdemar da Paixão, Totonho de Maré, Cobrinha Verde, Canjiquinha, Caiçara, Atenilo, Nagé Traíra, Pedro Mineiro, Porreta, Sete Morte, Bento Certeiro, dentre outros. (in http://www.capoeira.esp.br).
[3] Pelo motivo do Mestre torcer pelo Ipiranga, um time de futebol da Bahia. Apesar de utilizar essas cores, ele próprio utilizava o branco.
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