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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  25/04/2006
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Capoeiras de Mestre Jelon na Paraíba

Entrevista com a Instrutora Virgínia Passos, durante o "Segundo Encontro Nacional da Associação Terra Firme", Campina Grande, PB

Capoeiras de Mestre Jelon na Paraíba Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 70 - de 23 a 29 de Abril de 2006

 

Benedito dos Santos

Campina Grande, PB

 - Abril de 2006 -

 

            O Jornal do Capoeira, fazendo valer o Ano internacional da Mulher Capoeirista, não poderia deixar de valorizar as mulheres capoeiras da paraibana. Como é de conhecimento de nossos leitores, foi realizado em Campina Grande, o "Segundo Encontro de Capoeira Terra Firme", dias 8 e 9 de Abril de 2006. Na ocasião, estiveram presentes diversos representantes do Grupo de Capoeira de Mestre Jelon, dentre eles a Instrutora Tina e a Monitora Virgínia Passos. Por uma questão de compromissos profissionais, a instrutora Cris não pode comparecer ao evento. A bem da verdade estava trabalhando de Segurança em uma Boate da cidade.

Aproveitando a ocasião, fizemos uma entrevista muito interessante com a Virginia Passos. Vamos a ela.

 

            JOC - Virgínia qual sua impressão geral sobre este Segundo Encontro Nacional de Capoeira realizado pela Associação de Capoeira Terra Firme?

            Virgínia Passos - "Muito bom! O Terra Firme da Paraíba está de parabéns, parabéns por ter trazido o mestre Hulk e por ter reunido vários mestres do Estado da Paraíba. Estão também de parabéns pelos trabalhos desenvolvidos na APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. É realmente um trabalho muito bonito, muito emocionante e é fantástico essa diversidade de nossa capoeira, seu estilo diferenciado, é simplesmente algo mágico! O monitor Pequeno está de parabéns!

 

            JOC - Virgínia, você como monitora tem conhecimento da questão da violência na capoeira. Comente a respeito:

            Virgínia - "Minha visão pessoal sobre violência nem se prende em relação à Capoeira, pois para mim a capoeira não é violenta. Quem diz que a Capoeira é violenta está enganado. A violência está em quem pratica a Capoeira. Se o praticante, enquanto pessoa, tem histórico de violência em sua vida pessoal, ela trará isto para a Roda de Capoeira.

Por exemplo, uma pessoa pacata, tímida, também se apresentará de forma pacata e tímida na capoeira. Cabe então ao mestre responsável pelo trabalho entender cada um, cada aluno, cada dimensão de mente, e trabalhar sobre esta questão da violência. Por outro lado, quando o violento não é o aluno e sim o mestre ou o professor, então quem tem que ter cuidado é a sociedade que está empregando esse profissional. A sociedade tem que analisar, tem que se avaliar, ver de onde ele vem, ver histórico familiar, sua formação acadêmica, sua formação familiar etc. Porque geralmente a pessoa violenta, ele traz essa violência desde a família.

Em resumo, para mim é mito essa questão de violência na Capoeira. Ela não tem nada de violento não, a capoeira é liberdade de expressão, violenta sim, são alguns praticantes. Mas nós temos que excluir e deixar de lado quem cultura a violência.

 

            JOC - Virgínia, dando a volta ao mundo, como começou esse trabalho do mestre Jelon aqui na Paraíba, na cidade de Campina Grande?

            Virgínia -  "Estou há oito anos no Capoeira Brasil. Eu comecei no Centro Cultural, mas logo entrei no Capoeira Brasil. Na ocasião procurava algo que se assemelhasse a minha ideologia de vida e eu encontrei no Capoeira Brasil, que na época quem estava no comando era o mestre "Zebrinha", do Ceará, onde passamos de 1977 até o ano de 2002. Em 2002 o mestre Zebrinha fundou o Legião Brasileira de Capoeira, mas eu preferir continuar com a filosofia do Capoeira Brasil e fui em busca de um mestre. Foi quando mestre Jelon foi o meu escolhido, entre tantos. O Capoeira Brasil tem três fundadores, e mestre Jelon foi quem foi convidado.

Acredito que está com dez ou onze alunos formados na minha ex-escola. A escolha de Mestre Jelon prende-se ao fato de eu ter tido a oportunidade de dar algumas voltas ao mundo, e passei a observar os verdadeiros valores dos mestres. Com resultado deste processo acabei me identificando mais com Mestre Jelon, e escolhi para ser meu mestre a partir de então.

Mestre Jelon optou por desligar-se do Capoeira Brasil e eu decidi acompanha-lo. O Capoeira Brasil está com 17 anos, e mestre Jelon estava há doze ou treze anos no grupo. Fundamos nosso próprio Grupo, fato este que aconteceu em Salvador, em Agosto de 2005. Jelon tem uma história de mais de 42 anos de capoeira. Mesmo estando neste novo grupo de Mestre Jelon, gostaria de salientar que tenho o maior orgulho de ter participado do Capoeira Brasil, visto a camisa do Capoeira Brasil com o maior prazer, tenho muitos amigos lá, inclusive ainda me chamam para eventos, eu vou lá, participo. Mesmo estando em outro grupo os amigos continuam!  Explicou a Monitora Virgínia Passos.

 

 

            JOC - Como é que você vê capoeira enquanto cultura?

            Virginia, dirigindo - "Capoeira é uma diversidade de coisas, de estados de coisas, uma diversidade, capoeira é cultura sim, mas capoeira também é história, capoeira é esporte, capoeira é consciência, capoeira é social, é posição na sociedade e a parte cultural, ele vem se demonstrando através dos instrumentos, através do ritmo e através do fato de se estar passando de geração em geração, então, é mágica, é magia, então não pode ser resumida apenas a cultura, mais muito forte na cultura brasileira"! Falou com muito convicção a Virgínia Passos.

 

            JOC - Como você vê Negritude e Capoeira?

            Virgínia - "O nosso Pais é um pais negro, o Brasil é pais negro. E quem não tem essa consciência, quem não tem a consciência de que o Brasil é um pais negro, é cara preconceituoso. O sangue que corre nas nossas veias, por conta da mistura de raças, é oitenta por cento negra. A capoeira veio do negro e hoje alcançou o mundo. A capoeira nasceu exatamente da diversidade cultural que o negro proporcionou à este nosso País-Continente". Explicou Virgínia.

 

 

 

JOC - Virginia, esse ano o Jornal do Capoeira, dedica seu trabalho em homenagem a mulher, tanto é que instituiu o "Ano Internacional da Mulher Capoeirísticas". Qual a sua mensagem para as mulheres capoeiras, e para os próprios capoeiras do sexo masculino do Brasil e do Mundo?

Virginia - "Que treinem com o coração, seja homem, seja mulher. Mestre Hulk deixou uma mensagem aqui, a cada palavra, a cada  gesto, a cada posição que o mestre fazia, eu estava lá de olho e em uma simples frase que ele resumiu muito sentimento: "quem quer aprender capoeira tem que estar dentro da capoeira, não interessa se está em outro grupo, não interessa se tem outra filosofia, não interessa se é outro mestre, mas se quer aprender capoeira, tem que viver, tem que respirar e tem que estar dentro da capoeira, e estar é treinando". Esta é a minha mensagem a todos: treinar.

A minha mensagem em relação à mulher, ela está conquistando cada dia mais espaço.  M meu mestre sempre fala que quando ele iniciou capoeira, não tinha mulher, e quando tinha era motivo de "chacota". Com ele mesmo diz, lá na Bahia, mulher na Roda era motivo de riso, era motivo de brincadeira. Entao essa diversidade que está tendo hoje, a força da mulher e a conquista dos espaços, está fazendo com que o ano de 2006 seja mesmo o ano da mulher na capoeira. Quero agradecer ao Jornal do Capoeira pela oportunidade, um axé a todos os capoeiristas! Finalizou a monitora Virginia Passos com entusiasmo e motivação.

 

 


Próximas Matérias:

1. Entrevista com o Monitor Bega Pequeno;

2. Mestre Hulk fala sobre o Segundo Encontro Nacional em Campina Grande


 

Bené "Zumbi" - João Pessoa, PB

benezumbi@yahoo.com.br

 

Ilustrações: virginiapassos@yahoo.com.br (okut) fãs do mestre Jelon

 


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira




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