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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS
  20/04/2005
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Crônicas e Artigos sobre a Capoeira na Bahia
Artigos publicados no livro "A Volta do Mundo da Capoeira", por André Luiz Lacé Lopes, e enviado para o Jornal do Capoeira
Crônicas e Artigos sobre a Capoeira na Bahia Nova pagina 1

Nota do Editor:

Em 1962, André Luiz Lace teve publicado seu primeiro artigo sobre capoeira. De lá para cá, são centenas de artigos e crônicas, e  quatro livros. E mais algumas dezenas de projetos e palestras, freqüentemente, feitas por este mundo afora. Seu interesse pela capoeira, entretanto, nasceu mesmo foi numa roda de capoeira do famoso e saudoso Sinhozinho, um paulista-ipanemense.

Ainda treinando com o extraordinário Neyder Alves, com quem aprendeu, Lace começou a ensinar também, primeiro em Botafogo (Grupo 120), depois no centro da cidade (Academia Força e Saúde, do Professor Dourado) e, finalmente em Copacabana, na  "Signo de Força", no posto 6.

 Com passar dos anos, André Lace foi aprofundando suas pesquisas e suas conclusões (inclusive, revendo algumas). A leitura de tais  registros, portanto, cada vez mais, passam a ser recomendáveis para todo e qualquer pesquisador  preocupado, não apenas em decorar uma versão, mas refletir sobre todas elas.

Não, evidentemente como uma "receita de bolo", nem este foi, jamais, o objetivo do autor, mas como textos que ensejam uma visão mais global, mais ecumênica, mais apropriada, realmente, ao feitio multifacetado desta nossa Capoeiragem.

Seu livro "A Volta do Mundo da Capoeira", publicado em 1999, em grande parte, é uma transcrição de artigos e crônicas que escreveu para vários jornais.  Já transcrevemos dois desses artigos em nosso Jornal do Capoeira -  "Oitenta Voltas do Mundo de João Pequeno" e "Internet, GCAP e Mestre Pastinha" - vamos, agora, partir para mais uma série de republicações. Artigos e crônicas, repito, que registram nomes, eventos e situações que devem ser conhecidos e sempre lembrados por todos nós. Para uma série inicial de republicações, pinçamos três artigos-relatórios que André Lace escreveu, de Salvador  01/12 de fevereiro de l997), para A Notícia: 1. "Bahia, Relatório Inicial", "Bahia, Relatório Intermediário"; e 3. "Bahia, Relatório Final".  E, logo em seguida, publicaremos uma  crônica-homenagem ao grande  "Mestre Caiçara" (publicada  no Jornal dos Sports - 28.08,1997).

Vamos ao primeiro artigo.

Miltinho Astronauta 

 

 

Bahia, Relatório Inicial

 

André Luiz Lacé

Salvador,  01/02 de fevereiro de l997

 

Estou enviando este artigo, via faxe, diretamente de Salvador. A Bahia continua, sobre todos os aspectos, fundamental. Especialmente no que diz respeito à nossa querida e fascinante Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem. Tenho corrido vários centros e conversado com mestres e estudiosos, estou, portanto, estocando fotos e informações para vários artigos. O grande desafio será resumir tão rica experiência. Não podemos ocupar todas as páginas d`A Notícia de hoje (bem que eu gostaria), em caráter excepcional, dividirei o assunto em duas partes, em dois artigos-relatórios. No presente artigo apenas listarei, com breves comentários, os principais pontos que visitei e os nomes dos mestres e estudiosos com quem conversei e troquei idéias. No próximo artigo, aprofundarei os temas mais relevantes.

 

Vamos à lista dos principais pontos que visitei até agora (por ordem cronológica das visitas):

 

1.                 Associação de Mestre Bimba, Pelourinho, onde ouvi de Mestre Bamba, atual responsável pelo ponto, uma instigante versão sobre a ida de Mestre Bimba para Goiás.  Valendo registrar que Mestre Bamba - tem um respeitável acervo de livros, artigos, estudos e vídeos - abre suas rodas de demonstração com o tradicional jogo de capoeira Angola; um jogo meio dramatizado é verdade, mas, mesmo assim, um bom exemplo para os demais regionalistas e agregados.

 

2.                 Escola de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos Mestre Curió, Pelourinho, onde encontrei a trenel Jararaca (Sra. Valdelice Santos de Jesus, promovida, no dia seguinte, a contramestre) treinando um grupo que parecia a própria ONU (Nações Unidas): holandesas, francesas, norte-americanas, um argentino, tinha até brasileiros!....

 

3.                 Escola Municipal Mestre Pastinha, Pelourinho. Com Mestre Curió visitei a Escola  que leva (palmas para a sociedade e para o governo municipal de Salvador) o nome do saudoso mestre, e onde, obviamente, também existe um centro de capoeira. Preocupado em ajudar a esposa, na preparação de um caruru para o dia seguinte (VIII Encontro de Capoeira Angola, ECAIG; previsão de mais de cem participantes), Mestre Curió não teve como conceder uma entrevista. Em compensação, dois dias depois, tive a oportunidade de presenciar uma aula comandada, pessoalmente, por ele. Simplesmente, algo que deveria ser filmado.

 

4.                 Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), Pelourinho.  Sem dúvida, a experiência mais importante e promissora no cenário atual da capoeira baiana e - quem sabe até? - na capoeira de todo mundo. Pois, pela primeira vez, grandes mestres e estudiosos, abrindo mão de parte do próprio prestigio pessoal, estão trabalhando como uma equipe, apoiando a idéia de uma grande união.  Parabéns a todos os participantes atuais e futuros.  Foi uma honra e um prazer muito grande participar de uma antológica  Roda nesta Associação, onde, de quebra, tive a oportunidade de rever velhos conhecidos como Mestre Mala e Mestre Lorde Bom Cabrito (exímio capoeira angola e extraordinária figura humana).  Voltarei, certamente, a este assunto.

            Nota do Editor:   Devo registrar que, tempos atrás, conversando com André Lace sobre a ABCA, ele lamentou que a experiência estivesse (na época) mergulhada em profunda crise  política e gerencial, agravada por uma certa fogueira de vaidades e disputa de poder.

 

5.                 Fundação Mestre Bimba (ainda sem endereço próprio). Deve, a qualquer momento, ganhar, também, um espaço na área encantada do Pelourinho. Merecidamente, pois, o trabalho dos filhos de Mestre Bimba - Dermerval dos Santos Machado e Nenel (vi, de perto, uma aula deste último: excelente!) - deve ser prestigiado pelo IPAC e por todos nós.  Antes que a figura emblemática de Mestre Bimba seja totalmente comercializada e vulgarizada por uma "elite branca" vaidosa e meio ensandecida com o crescente sucesso da capoeira Angola.

 

6.        SENNAVOX, capoeira estilizada.  Muito cordial e produtiva a conversa com o "velho" guerreiro da capoeira, Mestre Carlos Senna", com quem, há décadas, vinha "brigando" por idéias e conceitos capoeirísticos. Canal de informações reaberto, certamente, dará frutos.

 

7.        Mestre Caiçara (foto).  Estive em sua casa, conversamos muito. O que a Bahia está esperando? O que a ABCA está esperando? O que a Universidade da Bahia está esperando?  O que o governo local está esperando?

Nota do Editor:  Para quem não entendeu a perplexidade deste item, valerá explicar que, André Lace, muito amigo de Caiçara, ao visitá-lo desta vez, ficou realmente perplexo: Caiçara muito magro, diabético, algumas outras mazelas, cuidando-se mal e sendo mal cuidado, quase abandonado a própria sorte. E, realmente, pouco depois, o Mestre faleceu.

 

8.                 Centro de Estudos Afro-Orientais, Universidade da Bahia. Conversei com o Professor Jéferson Bacelar, diretor do CEAO.  Sem  dúvida alguma, todo pesquisador deve fazer o mesmo. Entre outros assuntos, chamou-me especialmente a atenção o espaço que poderá ser dado à capoeira, no V Congresso Afro-Brasileira (17 a 20 de agosto).




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