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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  28/03/2005
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Departamento Feminino de Capoeira

Federação de Capoeira Desportiva do Rio de Janeiro cria novo Departamento

Departamento Feminino de Capoeira

Miltinho Astronauta

São José dos Campos

mar/2005

Com base (equivocada) no sistema esportivo norte-americano, foi criada, no Brasil, a Lei Pelé, pela qual, entre outras novidades, foi liberada, até estimulada a criação de mais de uma confederação desportiva nacional, ou mais de uma federação esportiva estadual, ou, ainda, mais de uma liga (ou associação) por município ou região. De pano de fundo, o questionável argumento neoliberal de estimular competição entre organizações similares para garantir a melhor eficácia de cada uma. Não leram direito, portanto, ou não quiseram ler, a legislação norte-americana, ou não perceberam o "pulo do gato" lá utilizado.

Mas o fato é que a Lei Pelé está em vigor e por ela temos que nos pautar. Tudo que devemos fazer, portanto, é tratar de faze-la funcionar o melhor possível.

Exatamente isto é que não esta acontecendo em boa parte do nosso Quadro Esportivo, com alguns dirigentes insistindo em impedir a criação de entidades concorrentes, sonegando informações ou sucumbindo a políticos locais desinformados. Ora, a lei está ai para dar suporte a um melhor desenvolvimento desportivo. É bem o caso de duas das principais faces de nossa fascinante Capoeiragem, seja como Luta (de verdade), seja com desporto de alto-rendimento.

Felizmente, existem poucas e boas exceções. O Rio de Janeiro é uma dessas, onde mais de uma federação foi criada, acredito eu, democraticamente, "cada qual na sua cada qual" (créditos para mestre Caiçara), desenvolvendo seus trabalhos em prol da Capoeira e de seus filiados, sem perder de vista, entretanto, a importância de caminharem juntas.

Uma delas, a FCERJ, é administrado pela simpática jovem senhora Fátima Colombiano, conhecida no mundo da Capoeira como Mestra Cigana. Uma das raras mestras formadas - esperamos que um dia este monopólio masculino venha, senão acabar, pelo menos diminuir - é discípula do saudoso Washington Bruno da Silva (Mestre Canjiquinha, famoso e saudoso Angoleiro da Bahia).

Mas a FCERJ já não é mais a única entidade da Capoeira carioca que conta com a participação ativa da mulher. Mestre Bogado, juntamente com Mestre Paulão do Rio, dirigentes da Federação de Capoeira Desportiva do Rio de Janeiro (FCDRJ), informa, por meio de uma carta-circular, que no dia 18 de Fevereiro último, a entidade passou a contar com mais um departamento.

Trata-se, na verdade, do recém-criado Departamento Feminino de Capoeira.

Segundo Bogado, "o motivo da criação é eliminar uma lacuna que há muito tempo já devia ter sido eliminada..." e com tal medida, seguramente, as mulheres-capoeiras passarão a ter um papel ainda mais relevante no desenvolvimento da Capoeira Fluminense.

 

Dois Bons Exemplos: Riograndense e Valeparaibano

 

            Durante minha participação na organização do Congresso Nacional de Capoeira, coordenado pelo Sr. Jairo Junior, São Paulo, 2003, pude constatar que o Estado mais bem representado, em termos de participação feminina, foi, sem dúvida alguma, o Rio Grande do Sul. Carla Ribeiro, coordenadora daquele Estado, garantiu esta heróica e exemplar participação, que representou 30% da delegação gaúcha.

Nem mesmo São Paulo, que hoje conta com alguns grupos liderados exclusivamente comandados por mulheres-capoeiras (Nzinga, Ginga dos Ventos...) consegui tal proeza.

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Em março de 2003, com apoio do Centro Cultural de Capoeira Aroeira Brasil, com sede na cidade de Jacareí (SP), aconteceu o primeiro Encontro Valeparaibano de Capoeira.

Foi um encontro interessante, e que ao final apresentou alguns pontos positivos:

·                           As discussões foram além do tema "Capoeira", contando-se inclusive com a participação especial de uma Capoeira-Psicóloga;

·                           As Capoeiras de diversos grupos e regiões do Vale e Litoral Norte mantiveram excelente clima de harmonia, respeito e união, algo difícil de se ver nos eventos conduzidos por jovens-mestres;

·                           A Capoeira foi tratada de forma autônoma, independente de sobrenome ou adjetivo que se possa dar a ela, ou seja, elas não estavam preocupadas se fulana era angola, ou se ciclana era regional... elas eram simplesmente Capoeiras;

 

O que lamento, e que elas devem também ter lamentado, foi a falta de um relatório final. Faltou o planejamento para um segundo evento, com as principais tarefas e missões para cada participante, o que garantiria uma segunda reunião muito mais produtiva.

Com vistas a potencializar a realização e as conclusões do Encontro, confesso que tentei me adiantar um pouco. Cheguei a sensibilizar a doutoranda em Educação, e Contramestra em Capoeira, Rosangela Costa Araújo (Janja) e a Dra. Antropóloga e Capoeirista Letícia Vidor, que, de pronto, prometeram participar do próximo Encontro. Mais uma razão, portanto, que, rapidamente, um novo Encontro seja programado!

Cabe agora às Capoeiras do Vale organizarem logo este segundo, e que promete ser brilhante, evento!

E, se me permitem mais uma intromissão, creio que será um gol de placa convidarem, também, a Dra. Simone Pondé Vassallo, Mestre em Ciências Sociais pela Université de Nanterre - Paris X, Doutora em Antropologia Social e Etnologia pela EHESS - Paris, cujo estudo "Anarquismo, igualitarismo e libertação: A apropriação do jogo da capoeira por praticantes parisienses", está mexendo com os brios da Capoeira Brasileira.

 

Finalizando, gostaria de voltar a parabenizar - não será demais - o bom e oportuno exemplo da FCDRJ, que certamente já deve estar servindo de base para que outras federações e entidades também tenham representatividade, efetiva, da mulher-Capoeirista.

 

(Na Foto: Mestra Cigana - FCERJ - Rio)






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