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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS
  23/04/2006
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ELEIÇÕES 2006 - Acabou a Nova República
ELEIÇÕES 2006 - Acabou a Nova República Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 70 - de 23 a 29 de Abril de 2006

 

André Pêssego - São Paulo

projetozumbi@uol.com.br

Abril de 2006

 

(I)  Exauriu-se a Escola Sociológica de São Paulo.

"...O africanista brasileiro conta com sofreguidão e detalhes o que não

conhece; e, por  sentir vergonha  nada diz do que sabe"  Mestre Benício.

           

            INTRODUÇÃO

            Este escrito será melhor acompanhado destacando-se as seguintes citações. Me perdoe os meus camarás mais lidos, mais corridos, como se dizia no meu Gilbués:

. O Estado Brasileiro é um Estado de "nobres". Nobres são as pessoas que se unem para viver de Estado. De Giga-e-poli-aposentados aos "reis da soja", aos "curadores das Varigs"

. "A exploração democrática do negro", (?!) alimentação dos IBGEs, CNIs, FIPEs, etc.

. "A Independência do Brasil foi feita por uma Pátria e não por uma Nação", Luis Mir

. Eugenia, purificação das raças, no Brasil o branqueamento.

. Genocida, uma ordem determina quem pode viver e quem deve morrer.

. Grupo étnico, para Fredrik Barth, determina uma comunidade em que a) em grande medida se auto-perpetua biologicamente; b) compartilha valores culturais fundamentais realizados com unidade manifestada em formas culturais; c) integra um campo de comunicação e integração; d) conta com membros que se identificam a si mesmos e são identificados pelos outros e que constituem uma categoria distinguível  de outras categorias da mesma ordem.

 

            A ERA PERDIDA

 

            A implantação da república entre nós tem sido construir uma escada em terreno movediço:  a cada 20 anos desmorona o trecho que se imaginou ter construído. Como na escada há um momento em que a ponta pesa mais que a base. A base terá de ser  o negro; sem o negro será leve e solta. Estamos batendo, ingloriamente, na porta da sexta república, desnorteados, sem saber, como entrar. Não andamos na construção da República porque não andamos na solução da questão racial. Da inclusão do negro. E o negro é metade da Nação. Do "fim da escravidão" e por todo o período republicano, até a década de 1970,  o conjunto intelectual do  Brasil deu " à convivência racial" ocupação de tempo e importância às fórmulas para a construir e estruturar o Estado Brasileiro. Claro, a par e passo houve também o posicionamento de exploração do negro, a chamada "exploração democrática". Exploração econômica e política. Mas, para cada período de vida republicana corresponde a um momento na abordagem da construção da Nação. Para efeito didático podemos gravitar em torno das três abordagens reconhecidas, em torno da questão racial - a) o modo cientificista de Silvio Romero,  Nina Rodrigues, Osvaldo Cruz, etc, como expoentes, em que prioriza a eugenia:  tendo como questão a resolver:  a "indolência" dos mestiços; a "inferioridade" racial do negro; e a "degenerescência" do mulato. E para cuja solução é reafirmada a "Política de Desafricanização do Brasil", iniciada em 1810. À medicina estava dado "o poder delegado de curar e controlar a sociedade".   Este "momento" foi tão importante quanto o das lutas abolicionistas: ele abre, cinde, parte, a sociedade: de um lado, é abraçado pela Doutrina Militar, pela Doutrina de Estado e pela nobreza rural, ainda imperante; de outro a burguesia intelectual e a burguesia urbana, nascente,  ávida por progresso. Desta cisão nasce um momento de estudo de alcance nacional - Gilberto Freyre, em Pernambuco; Artur Ramos, Edson Carneiro, na Bahia e os misturados sediados no Rio de Janeiro, Anisio Teixeira, Abgar Renault, e que chega (mais tarde) a Décio de Freitas e a Darcy Ribeiro, etc. Onde cada um deles encabeça a um grupo que vai estudar cada segmento, surgindo o interesse por Palmares, (apontamentos, Edson Carneiro,) e pela influência dos caracteres africanos na formação do povo brasileiro, (Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, roteiro). O Terceiro momento é o da Escola Sociológica de São Paulo, encabeçado por Florestan Fernandes, Hélio Jaguaribe e cuja expressão maior vem a ser Fernando Henrique Cardoso. Todos tão letrados quanto incultos. Este período esgotou-se em si mesmo. Sem produzir nada de prático, ao ponto do próprio FHC reconhecer - "esqueçam o que eu disse". E que se esvai entre 1970 a 1980. Com a Escola Sociológica, sai de cena o princípio eugenístico e entra o processo genocida - (o Estado determina quem vai viver e quem vai morrer. Na razão de 150 000 assassinatos em 2005, 75% de jovens e 75% de negros). 16 000 somente no Rio de Janeiro.          

 Há um vácuo no momento de abordagem racial brasileira a partir daí, 1970? Não. O que houve, por que deu errado? É que o agrupamento europeu, depois o indo-europeu se comportou como se tendo procuração do negro. Mas, este momento vem sendo preenchido por escritores ligados à Capoeira, que não se limita ao Brasil. Neste estudo tomamos por referência, Mestre Nestor Capoeira. De cuja internacionalização e territorialização desagrada a Doutrina Militar Brasileira.

 

            ...DA INDEPENDÊNCIA À REPÚBLICA

 

            Como se dera a colonização americana? - Quem saiu da Inglaterra e foi para os Estados Unidos o fez como se um filho que completa a maioridade e se casa. Vai fazer uma casa noutro lugar,  iniciar a construir a uma nova  família. Um novo ciclo biológico. Terá de lutar para fazê-lo próspero. Para traz são apenas laços de sangue, ato involuntário.

            Dos portugueses que vieram para o Brasil, uns vieram por um bem determinado, a terra; outros, condenados, vieram cumprir a pena; outros, ainda para ficar rico e comprar a pena; tantos do seio da nobreza, para incorporar patrimônio, terra - para ostentar. A   libertação dos escravos na América do Norte foi retardada, na busca de solução e ou espera para o negro adquirir um padrão médio próximo do padrão médio dos não negros. A "libertação" do negro brasileiro retardou porque os senhores queriam ser indenizados.  Nos  independentistas americanos estava imbuído o sentimento de sua Nação. Entre os independendistas brasileiros, não "havia" brasileiros, todos se sentiam portugueses. Assim foi "feita" a Independência, sem alterar  rumos, nem  pessoas. A independência brasileira foi feita por uma pátria, e não por uma Nação.

 

            DO PRÉ E DO PÓS 1964 - E O SAMBA DO CRIOULO DOIDO.

 

            Como morre, se esvai um período organizacional, institucional, de um povo? Ou pelo reconhecimento da necessidade de uma nova ordem, já formatada, já nas ruas, (Revolução Francesa, por ex.) ou por falta de proposta que dê vida à ordem estabelecida. Quando não há circulação de proposta, há o que se chama de falência múltipla. Entre nós o mau-caratismo (real ou não) toma o lugar de propostas, de progresso: CORRUPÇÃO. Os termos "corrupção e voto" tem sido a via fácil para enganar o povo e massacrar ao negro:

            O Sr. Jânio Quadros chega ao poder, sem esperar, portanto não tinha um objetivo, não tinha uma proposta. Como um bêbado patológico. Inventou a "varrição" de fantasmas - caçando e inventando corrupção (como se nada tivesse para fazer); O Jango urde às pressas uma teia para se sustentar e um governo nacional, na hora incerta... As Forças Armadas, ainda impregnada da doutrina eugenística, e  como o Sr. Jânio, sem um projeto, são embriagadas pelo fantasma do Comunismo: para ocupar os espaços sem o negro, fazem o Estatuto da Terra, grila o resto do Brasil. Com o falso "desempenho"  do concurso público, e o falso pudor, do CIC (CPF) condenou o negro para sempre à miséria. Só ele foi alijado do serviço público apadrinhado; e só do negro foi tirada a chave dos cofres públicos. Esgotou-se o Regime Militar, entre o nada, a mácula e a espada genocida. Já em final dos anos 1970 começam os militares e os depostos em 1964 a inventariar o "preço" de cada qual. E só. E consomem dez anos.  A invenção da Nova República teve como "projeto o voto direto". Como se mesinha para algum dos males da Nação. O PT, enquanto partido, escudou-se no combate ao fantasma da corrupção - como o PT ontem; como as oposições hoje. E todos foram governo; e todos foram oposição. Governo do nada; oposição do nada.  Estancaram a industrialização, depois de ter tangido os agricultores para a cidade. Favelizaram a todas as cidades do Brasil. Grilaram o que restava do Brasil.  Mercantilizaram o (s) SENAI (s), tirando do negro o acesso à única ação que não o discriminou, e que proporcionou-lhe  algum ganho, um salto.

 

(na parte II e entra em cena os intelectuais da Capoeira).

             

André Pêssego - Berimbau Brasil  - São Paulo, Capital

Projetozumbi@uol.com.br


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira




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