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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS
  01/04/2006
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Fernando de Noronha & Atlas da Capoeira Maranhense
Fernando de Noronha & Atlas da Capoeira Maranhense Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 64 - de 12 a 18/Mar de 2006

 

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

São Luis do Maranhão-MA

 - Abril de 2006 -

 

            No início de março segui de São Luis direto para Fortaleza, e depois para Fernando de Noronha. O que era para ser uma simples viagem de passeio com a família acabou resultando em uma viagem arqueológico-capoeirística. Explico. É que durante aquela viagem consegui recuperar algumas informações sobre a capoeiragem que acontecia naquela Ilha-Presídio, quando os capoeiras do Rio de Janeiro, então capital federal, eram deportados - alguns com nomes trocado - para lá.

            Mas a grande "descoberta" mesmo foi o contato com a professora Marieta Borges, pessoa que é ao mesmo tempo "amante" e "protetora" da Ilha. Nos últimos anos Marieta tem se dedicado incansavelmente à preservação e resgate da Memória da Ilha. Dela recebi diversos artigos sobre capoeira, sendo um deles de sua autoria. Recebi também um facsimili de um livro de Amorim Netto, publicado na década de 1930 e que se refere à capoeiragem carioca em Fernando de Noronha, no final do século XIX e início de século XX.

            Professora Marieta, que conheci durante a travessia Ilha-Continente já foi escalada para compor o "time" deste Jornal do Capoeira, e assim que nosso Editor regressar de Curitiba, teremos o prazer de compartilhar com os amigos leitores as contribuições da capoeira "noronhense", sejam as informações históricas, sejam sobre a capoeiragem atual.

 

Fonte: www.noronha.pe.gov.b - Foto por Michele Roth

 

            Voltando ao momento antes da viagem (Maranhão!), na edição 65 do Jornal do Capoeira publicamos a primeira parte do artigo ATLAS DAS TRADIÇÕES & CAPOEIRA E CAPOEIRAGEM NO MARANHÃO . Trazemos aos senhores leitores mais uma "peça" da histórica da capoeira em solo maranhense. Pouco a pouco vamos reconstituindo e democratizando informações que, por um motivo ou outro, são pouco conhecidas da maioria dos praticantes de nossa arte.

 

            Vamos, pois,  às informações cronológicas:

 

 

1877 -     MARTINS (1989, in MARTINS, Dejard. ESPORTES: UM MERGULHO NO TEMPO.  São Luís : (s.n.), aceita a capoeira como o primeiro "esporte" praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. "JOGO DA CAPOEIRA "Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes". (MARTINS, 1989, p. 179) 

1915 - NASCIMENTO DE MORAES, em uma crônica que retrata os costumes e ambientes de São Luís em fins do século XIX e início do XX, publicada em 1915, utiliza o termo capoeiragem: "A polícia é mal vista por lá, a cabroiera dos outros também não é bem recebida e, assim, quando menos se espera, por causa de uma raparigota qualquer, que se faceira e requebra com indivíduo estranho ali, o rolo fecha, a capoeiragem se desenfreia e quem puder que se salve". (NASCIMENTO DE MORAES. Vencidos e Degenerados. 4 ed. São Luís : Cento Cultural Nascimento de Moraes, 2000, p. 95).

Em outro trecho é mostrada com riqueza de detalhes uma briga, identificada como sendo a capoeira: "Ninguém melhor do que ele vibrava a cabeça, passava a rasteira. Armado de um "lenço" roliço e pesado, espalhava-se com destreza irresistível, como se as suas juntas fossem molas de aço. Força não tinha, mas sabia fugir-se numa escorregadela dos pulsos rijos que avidamente o tentassem segurar no rolo. Torcia-se e retorcia-se, pulava, avançava num salto, recuava ligeiro noutro, dava de braço e pés para a direita e para a esquerda, aparando no "lenço" as pauladas da cabroiera, que o tinha à conta dos curados por feiticeiros de todos os males. Atribuíam-lhe outros, a superioridade na luta, a  certos sinais simbólicos feitos em ambos os braços, sinais que Aranha, muito de indústria, escondia ao exame dos curiosos, o que lhe aumentava o valor". (in MARTINS, Nelson Brito. UMA ANÁLISE DAS CONTRIBUIÇÕES DE MESTRE SAPO PARA A CAPOEIRA EM SÃO LUÍS. São Luís : UFMA, 2005. Monografia de Graduação em Educação Física (Licenciatura), defendida em abril de 2005

ANOS 30/40 -Mestre Firmino Diniz - nascido em 1929 - que é considerado o mestre  mais antigo de São Luís, teve os primeiros contatos com a capoeira  na infância, através de seus tios Zé Baianinho e Mané. Lembra ainda de outro capoeirista da época de sua infância, Caranguejo; Mestre Diniz teve suas primeiras lições no Rio de Janeiro com "Catumbi", um capoeira alagoano. Diniz era o organizador das rodas de capoeira e foi um dos maiores incentivadores dessa manifestação na cidade de São Luís.

ANOS 50 - por ora, não há registros.

ANOS 60 - "Renascimento" da capoeira em São Luís, com a chegada de ROBERVAL SEREJO no início dos anos 60. Criação do Grupo "Bantus", do qual participavam, além de Mestre Roberval Serejo, graduado por Arthur Emídio; Mestre Diniz (aluno de Catumbi, de Alagoas), Mestre Jessé Lobão (aluno de Djalma Bandeira), de Babalú; Gouveia [José Anunciação Gouveia]; Ubirajara; Elmo Cascavel; Alô; Patinho [Antonio José da Conceição Ramos]; e Didi [Diógenes Ferreira Magalhães de Almeida].

1965 -     Mestre Paturi (Antonio Alberto Carvalho, nascido em 1946, o Mestre mais velho em atuação, hoje), inicia-se na Capoeira com os Mestres Manoelito e Leocádio, e após a chegada de Mestre Sapo, passa a treinar com este. Foi o primeiro a registrar uma Associação de Capoeira (?).  

1966 -     Mestre Canjiquinha [Washington Bruno da Silva, 1925-1994], e seu Grupo Aberrê passam pelo Maranhão, apresentando-se em Bacabal, no teatro de Arena Municipal; e em São Luís do Maranhão: Palácio do Governador; Jornal Pequeno; TV Ribamar; Residência do Prefeito da capital; Ginásio Costa Rodrigues. (in REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: ensaio sócio-etnográfico. Salvador :Itapuã, 1968). Acompanhavam Mestre Canjiquinha Sapo [Anselmo Barnabé Rodrigues]; Brasília [Antônio Cardoso Andrade]; e Vitor Careca, os três, na época, menores de idade.

1968 -     Mestre Sapo retorna ao Maranhão, para ensinar capoeira. Vai se tornar a maior referência da capoeira do Maranhão, formando inúmeros alunos e graduando vários mestres, até sua morte, em 1982.

ANOS 1970 - A partir de 1970, Mestre Sapo começou a formar seu grupo de capoeira, passando a ministrar aulas em uma academia de musculação, localizada na Rua Rio Branco; é também nesse ano que se dá a morte de Roberval Serejo; seus alunos, da academia Bantú, passam a treinar com Mestre Sapo.

Em uma de suas viagens, no final dos anos 70, Mestre Sapo, conheceu o Mestre Zulú, em Brasília. Foi quem o graduou Mestre. A partir de então, Mestre Sapo implantou em São Luís o sistema de graduação, através de cordas ou cordel, seguindo as cores adotadas pelo Mestre Zulú. Mas quem o iniciou na capoeira foi Mestre Pelé de Salvador [Natalício Neves da Silva, nascido em 1934]

 

 

Continua na próxima edição

 

Leopoldo Vaz, São Luis do Maranhão

Professor de Educação Física do CEFET-MA

Mestre em Ciência da Informação

Na Foto : Mestre Canjiquinha


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira




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