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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  19/02/2006
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História da Capoeiragem no Brasil

Nesta crônica trazemos algumas considerações sobre a história da capoeiragem no Brasil, incluindo-se informações sobre o confronto Cyríaco & Sada Miako

História da Capoeiragem no Brasil Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 61 - de 19 a 25/Fev de 2006

 

Redação, S.J.Campos-SP

18. Fevereiro, 2006

 

           Claro que existem verdades absolutas, até mesmo em discussões filosóficas. Por outro lado, nada impede que sejam divulgadas e democraticamente discutidas as verdades relativas.

Há quem afirme que existem sempre três verdades ou versões: a sua, a do oponente e...a verdadeira. O que não deve ser obstáculo para uma boa discussão.

No mundo da Capoeiragem temos, também, grandes polemicas e controvérsias. Situação que se agrava à medida que o tempo passa, pois a memória enfraquece ou vai glamurizando demais o passado.

Há fortes indícios comprovando a existência de grandes e valentes capoeiras no passado remoto e ressente da Capoeiragem.  Pode ser que a valentia do passado, em alguns casos, tenha até sido reduzida por injustiça do tempo. Em tese também podemos especular ao contrário, ou seja, muito valente talvez tenha feito fama em cima de oponentes muito fracos. Daí a importância de aprofundar ao máximo as pesquisas históricas, sobre capoeiragem, pelo Brasil afora e, certamente, na África.

Assim considerando entendemos como oportuno voltar a publicar alguma coisa sobre o campista (município de Campos,  Rio de Janeiro) Francisco da Silva Cyríaco, o Mestre Cyríaco. É o que fazemos na presente edição, em função do disputado (pelos colecionadores) exemplar da famosa Revista Careta, de 29 de maio de 1909.

 

 

 

Como André Lace salientou muito corretamente no seu livro - Capoeiragem no Rio de Janeiro - ocorreu com Cyríaco o que, décadas mais tarde, veio a ocorrer também com Mestre Bimba: acadêmicos de medicina adotando a capoeiragem. Assim como Bimba, anos mais tarde, teve alunos da estatura de um Cisnando (então acadêmico de medicina e especialista em luta livre) e de um Decânio (aluno e médico do Mestre), também Cyríaco teve sua junta médica de admiradores.

A extraordinária foto publicada pela Careta é prova absoluta, é verdade absoluta. O que não se pode afirmar, muito embora o bem trajar e a ginga pareçam confirmar, é que Cyriaco venha a ser avô do Mestre Leopoldina. Mas que há semelhança na roupa e no gestual lá isto há.

O fato é que esta matéria da Careta é marcante. Até pelo fato de ter registrado o confronto de Mestre Cyríaco com o campeão japonês Sada Miako, contratado pela Marinha de Guerra do Brasil. Confronto oficial, formal, fartamente divulgado pela mídia, com bilheteria, e que contou com a presença de aficionados de luta, da sociedade em geral e de autoridades públicas da então Capital Federal. O que joga por terra, entre outras coisas, a "folclórica" versão que, muitos anos mais tarde, Getúlio Vargas, impressionado com um jogo de capoeira, assinou decreto liberando sua prática.

 

Há que se lamentar nesse importante registro da Careta apenas a constatação do desinteresse da maioria dos mestres do Rio de Janeiro com a sua própria história capoeirística. Sempre muito cosmopolita, o Rio chega até a  ignorar o trabalho de seu mestre pioneiro -  Agenor Sampaio (Sinhozinho) -  que, entre outros feitos, preparou alunos para lutar verdadeiramente capoeira. Por mais de uma hora e contra oponentes de outras modalidades de luta. Quando o Rio irá acordar para importância desse passado?

 


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