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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 CRÔNICAS

  26/06/2005
  2 comentário(s)


Olaria, RIO: Mestre Vilmar na Volta do Mundo

Nesta crônica o autor André Luiz Lacé escreve sobre Mestre Vilmar, Capoeira "das antigas" do Rio de Janeiro, contando sobre os trabalhos atuais do referido mestre.

Olaria, RIO:  Mestre Vilmar na Volta do Mundo André Luiz Lacé Lopes

André Luiz Lacé Lopes

Leblon, 25 de junho de 2005

 

Um dos melhores capoeiras que vi jogar, discípulo do extraordinário Mestre Djalma Bandeira.

Há relativamente pouco tempo voltou a jogar e a realizar exemplar trabalho de ensino, sobretudo, para públicos especiais, como algumas de suas turmas lá no prédio do INSS, no Conjunto Residencial do  IAPC de Olaria, subúrbio do Rio de Janeiro. 

Mestre Vilmar Brito Cruz preocupa-se, inclusive, em treinar treinadores, formar mestres para ampliar e prosseguir seu excelente trabalho.

Respeitado e admirado por todos capoeiras, em muito boa hora consegui incluí-lo na segunda edição do meu livreto (tipo literatura de cordel), lançado dia 12 de junho no Circo Voador, na Lapa. Conseqüentemente, Vilmar está também incluído na versão francesa que será lançada, em Paris, no próximo mês de setembro. Ou seja, já que Vilmar não vai a Paris, não vai a Europa, não vai aos Estados Unidos, não dá, enfim, a sua merecida "vorta do mundo", Paris vem ao Vilmar.

Perde Mestre Vilmar a oportunidade de conhecer o mundo, mas perde muito mais o mundo que não conhecerá a capoeira do Vilmar (salvo através do Cordel...). Uma Capoeira de muito valor, "mas" sem marketing delirante ou verbas públicas eleitoreiras, uma Capoeira com um sólido passado, "mas" sem versões mutantes e sempre fantasiosas. Vilmar foi e é, simplesmente um grande capoeirista, sem esta dicotomia publicitária e empobrecedora de "angola ou regional".

Mestre Camisa, já dissidente do Grupo Senzala, vinha treinando na Associação de Servidores Públicos, ao lado do Canecão, em Botafogo, Rio. Certa noite apareci levando o Vilmar, que aceitou o convite para jogar. Uma noite que deveria ter sido filmada, inicialmente, todos querendo "pegar" o mestre negro suburbano. Era a própria Casa Grande querendo punir o negro da senzala por ter ousado inventar o "novo" jogo dos brancos de classe média. De repente, todos perceberam o erro, caíram em si e - verdade seja dita - passaram a louvar a maestria do mestre e, daí para frente, não pararam de cantar:

-          (Solo )Eh, Menino é bom

-          (Coro)  Menino bom, câmara!

Muito tempo depois é que vim a saber que Mestre Vilmar, atendendo insistentes convites, voltou várias vezes para jogar com a meninada do Camisa.  Que teve, portanto, a felicidade de conhecer bem de perto o que é uma ginga realmente solta, extremamente criativa, esperta, funcional, mandingueira.

Mas Vilmar não tem marketing, aliás, nem o Rio tem mais, posto que está cada vez mais abandonado, com a classe média (sempre a classe média) fingindo que nada está acontecendo.

Daí porque jamais será convidado para "workshops" no estrangeiro, até porque há uma máfia dominando este novo tipo de navio tumbeiro.  Com raras e preciosas exceções, apresso-me a registrar.

Não tem nada, não, Mestre Vilmar, há quatro anos, voltou a ensinar e realiza seus "workshops" no local onde por muito tempo viveu, em Olaria, subúrbio do Rio. Em suas aulas faz chorar de pura emoção os pais de um aluno com síndrome de down, ou paraplégico, ou ainda com mazelas de uma meningite. O sucesso de suas aulas, no corpo e no espírito desses alunos é realmente emocionante.

Em suas aulas, Mestre Vilmar provoca risos também, como é o caso da Sra. Arlete que, por tanto sorrir do próprio esforço e dos bons resultados alcançados, foi balizada na capoeira com o nome de  Arlegre

 

 

Impossível, embora injusto,  tentar citar todos os nomes, dos alunos que estão sendo preparados para ensinar, como o professor Luciano, o instrutor Fábio, Estrada e Abelha, ao glorioso time de jovens senhoras como a própria Arlegre, Japonesa, Imperatriz, Madameponpadour, Maçachocolate e Basti, com seus 83 anos de encantamento.

Fico devendo um artigo mais longo, mais a altura do grande mérito do Vilmar. Ou melhor, deixo a sugestão para os responsáveis pelo Atlas dos Mestres e Contramestres do Rio de Janeiro que, um belo dia, tenho certeza, será lançado com grande sucesso.  Opinião que, agora, passa também a ser defendida pelo mestre-jornalista Vilmar Brito Cruz, chefe de família, homem essencialmente honesto.  Especialmente depois que teve a oportunidade de, perplexo, folhear o extraordinário "tijolão" Atlas do Esporte no Brasil:

-          O que os capoeiras estão esperando para fazer trabalho igual!?

 

Adiantei para o "velho" mestre que alguns estados já estão se mexendo, sim, sendo o mais adiantado, pra surpresa de muita gente, o Estado do Maranhão, através do pioneiro trabalho que está sendo coordenado pelo Professor Leopoldo Vaz.

Para terminar, nada mais justo do que a quadra do cordel, sobre Vilmar. Em português e em francês:

 

Fui eu que, pela primeira vez,

levei Mestre Vilmar à Senzala

Vilmar Brito  Cruz tanto fêz

Que até hoje dele se fala

 

 C"est moi qui ai présenté dans le temps

Vilmar Brito au groupe Senzala

un maître qui a donné tellement

qu"on parle encore de lui par-ci, par-là

 






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