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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 LIT.CLÁSSICA
  14/11/2005
  2 comentário(s)


A Capoeira por Lima Campos (1906)
Clássico da Literatura da Capoeira, com ilustrações de Kalixto
A Capoeira por Lima Campos (1906) Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição AUGUSTO MÁRIO FERREIRA - Mestre GUGA (n.49)

de 13 a 19 de Novembro  de 2005

 

Lima Campos, Rio de Janeiro

Revista Kosmos, 1906

 

Nota do Editor:

Temos publicado, aos poucos, algumas crônicas e textos da literatura clássica da Capoeira, sendo a maioria delas publicadas originalmente no Rio de Janeiro, entre o final do século XIX e início do século XX. O clássico que publicamos nesta edição - "A Capoeira", por Lima Campos, Revista Kosmos, 1906 - foi enviada foi há algum tempo pelo capoeira-pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro, Sorocaba, SP. Para abrilhantar tal clássico, o autor contou com famosas ilustrações de Kalixto. Tanto o texto quanto as ilustrações descrevem minúcias do cotidiano capoeirístico do Rio de Janeiro, com detalhes sobre seus jeitos, tipos e vestimentas. O facsimili enviado por Cavalheiro é parte integrante do acervo particular do historiador Adolfo Frioli

                        Miltinho Astronauta

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A capoeira

(parte I)

Lima Campos, Rio de Janeiro

Revista Kosmos, 1906

"TYPOS E UNIFORMES DOS ANTIGOS NAGOAS E GUAYAMÚS SENDO OS PRINCIPAES DISTINCTIVOS DOS PRIMEIROS CINTA COM CORES BRANCA SOBRE A ENCARNADA E CHAPÉO DE ABA BATIDA PARA A FRENTE E DOS SEGUNDOS COM CORES ENCARNADAS SOBRE A BRANCA E CHAPÉO DE ABA ELEVADA NA FRENTE.

Não te conto nada seu compadre! o samba esteve cuerêréca. No fim que houve uma chorumella de escacha. O Cara Queimada estava de sorte com a Quinota quando o marchante chegou. Ih! seu camarada! Foi um estrompicio!

O Marchante era sarado, foi logo encaroçando a joça. Eu tive que entrar com o meu jogo, sim, tu sabes, que não vou nisso, e ali eu estava separado, não havia cara que me levasse vantagem. Quando a coisa estava preta eu fui ver como era p'ra contar como foi."

"Das cinco grandes luctas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglêz, o páu portuguêz e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elasterio e de agilidade em seus recursos e avanços tacticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a ultima, ainda desconhecida fóra do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.

Nas outras (com bem limitada excepção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima excepção do celebre circulo defensivo descripto pelo movimento giratório contínuo do páu no jogo portuguêz) o valor está no ataque; na capoeira, porém, dá-se o contrario: o seu merito básico é a defesa; ella é por excelência e na essência defensiva.

O que a sabe e a executa em uma emergencia qualquer, póde, se desejar tratar com magnanimidade o adversário que desconheça o jogo, poupal-o da mais insignificante contusão, sem que se deixe attingir, entrentato por um só golpe.

Dois grandes capoeiras, igualmente exímios, igualmente ageis com conhecimentos exatos, perfeitos e totaes do jogo, jamais se ferirão, a não ser insignificante e levemente, o que bem indica o grande valor defensivo que possue essa estrategia popular e que a colloca acima de todas as congeneres de qualquer outra nacionalidade.

Embora, porém, seja o seu fim primordial a defeza, ella dispõe comtudo de golpes de ataque para o caso em que o contendor conheça e saiba utilizar mais ou menos os segredos da lucta, cabendo a victoria, em tal circumstancia, ao mais destro, como, com o mais meditado, profundo e louvavel acerto, concluiria, em seu relatorio, qualquer uma das nossas commissões officiaes, pelo governo nomeada para o estudo dos mais complexos problemas."

Nota: A PENEIRAÇÃO: Com pouco vi um cabra peneirando na minha frente, dansei de velho, o typo era bom! sambou e entrou no caterêté commigo...

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Fonte: KOSMOS, Revista Artística, Científica e Literária, rua da Assembléia, n. 62, Rio de Janeiro. Ano III, 1906, n. 3, Março. Mensal, 2R$000, 25cm.

 




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