| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS


 LIT.CLÁSSICA

  25/04/2005
  0 comentário(s)


Academias de Capoeira do Rio Antigo - Década de 30

Crônica sobre a Escola Typica de Aggressão e Defeza de Jayme Ferreira" - Capoeiragem do Rio Antigo

Academias de Capoeira do Rio Antigo - Década de 30

 

Escola Typica de Aggressão e Defeza

-         Academias de Capoeira do Rio Antigo (1931)

 

 

Nota do Editor:

Com vistas ao seu novo livro, André Lace guarda a sete chaves alguns registros raros sobre academias do Rio Antigo (décadas de 20 e 30).  Mas, generosamente, aceitou enviar cópia de uma interessante matéria publicada, em jornal do Rio de Janeiro (com circulação nacional), em 1931.

Vários estudos estão sendo feitos a respeito do texto enviado e, sobretudo, das fotos ilustrativas.  A reportagem foi feita com base na Academia de Jayme Ferreira (foi "apartador" da luta de Rudolf Hermanny com o extraordinário mestre baiano " Itabuna - Artur Emídio de Oliveira) que, ao contrário de algumas outras escolas, relacionava-se bem  com a capoeira de outros estados.  Não por acaso, portanto, que a reportagem registra a visita de alguns capoeiras baianos, durante a entrevista com Jayme Ferreira.  As fotos, muito sintomáticas, realmente ensejam estudos mais aprofundados e até surpreendentes. É o que está sendo feito e, brevemente, será publicado em revista internacional.

Por ora, entretanto, sirvo o que me foi servido, o texto, a foto de uma talha da porta ("Capoeiragem") e a  foto da placa da academia com sua sugestiva denominação "Escola Týpica de Agressão e Defeza", ou seja, Capoeiragem do Rio de Janeiro.

Mantivemos a ortografia da época.

Miltinho Astronauta

 

 

 

            "A CAPOEIRAGEM teve, no Rio, o seu período áureo. Foi quando, praticada no "batuque", apenas pelos chamados "malandros", se irradiou pela cidade toda, descida da Favela e de outros morros mais ou menos celebres, na pessoa do "capoeira" que se servia della para levar a bom termo as suas proezas de certo modo arriscadas.

 

         Embora exigindo requisitos especiaes, taes coomo agilidade, golpe de vista e, sobretudo, muita agilidade, golpe de vista e, sobretudo, muita coragem, não demorou que as camadas da elite se interessassem pela capoeiragem, não raro se presenciando um homem de fino trato e maneiras fidalgas exhibindo-se quando se tornava necessário, como um perfeito conhecedor dos golpes difficeis porém decisivos do capoeira.

 

         Depois...depois surgiram a picareta renovadora e as exigências inherentes ao processo cuidando a polícia de acabar com o typico processo de defeza e com os seus praticantes...

E caiu no olvido o melhor e mais efficiente meio de defesa do mundo.

         Todos o relegaram para um plano inferior, sendo até desairoso qualquer individuo dizer-se delle conhecedor.

Enquanto os brasileiros abandonaram a brasileiríssima capoeiragem, os estrangeiros por ella se interessavam, recomendando-lhe o valor que realmente tem.

Sobre isto há um facto positivo que se verificou na Itália.

Em uma festa, ao ar livre, fez-se uma competição entre marujos de várias nacionalidades.

         Os inglezes e americanos a todos superavam com o Box e a luta livre até que um marinheiro italiano pediu permissão aos seus superiores para exhibir um "jogo que elle conhecia".

"E o italiano a todos venceu em segundos, ante o olhar perplexo da assistência numerosa (o Editor do Jornal, por motivos óbvios,  oferece esta frase ao mestre paulista, italo-brasileiro Pinatti e ao jovem mestre italiano Coruja, economista Edgardo Santaniello, Presidente da Federação Italiana de Capoeira).

         E o "jogo que elle conhecia" outro não era senão a capoeiragem que aprendeu em São Paulo, de onde era filho.

         Presentemente, como que um sopro de seiva viva anima os praticantes de capoeiragem.

E o esforço de um punhado, pequeno mas enthusiasta de brasileiros patriotas, que pretendem collocar em seu justo logar o mais eficaz de todos os meios de defesa, aquelle que suplanta o Box, o jiu-jitsu e a luta livre, merece todos os incentivos e encômios porque, com a ascenção da capoeiragem teremos demonstrado, á evidencia que sabemos aproveitar as aptidões innatas da nossa raça.

Os clichês que estampamos são flagrantes das aulas ministradas pelo athleta Jayme Martins Ferreira, em que intervem os soldados da nossa Marinha de Guerra, Manoel e Coronel".

 




  Mais notícias da seção Rio de Janeiro no caderno LIT.CLÁSSICA
18/04/2005 - Rio de Janeiro - Capoeiragem & Capoeiras - Segunda parte
Crônica publicada por Paulo Várzea, na Revista Criminal no.28, 1929...
21/03/2005 - Rio de Janeiro - Capoeiragem e Capoeiras - Primeira parte
Crônica publicada na Revista Criminal (1929, Rio), enviada à esta Redação, em formato original, por Mestre André Luiz Lacé...



Capa |  CAPOEIRA VIRTUAL  |  CRÔNICAS  |  EVENTOS  |  LIT.CLÁSSICA  |  NOTÍCIAS
Busca em

  
1050 Notícias