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Jornal do CAPOEIRA
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 NOTÍCIAS
  20/04/2005
  1 comentário(s)


Capoeira Piracicabana
Trinta anos de Capoeira de Mestre Zequinha!
Capoeira Piracicabana Nova pagina 1
Miltinho Astronauta
Piracicaba, abril de 2005
 
A Capoeira paulista foi uma das primeiras experiências em que os estilos "angola" e "regional" conviveram de forma pacífica e harmoniosa (Reinaldo Ramos Suassuna, Pinatti, Brasília, Joel, Gilvan, Limão, Silvestre e Paulo Gomes foram alguns dos responsáveis).
 
Conversando com Mestre Eli Pimenta - sociólogo, professor de universidade, mestre de Capoeira formado pelo Grupo Cordão de Ouro e co-fundador do Grupo Cativeiro Capoeira (Mesttre Miguel Machado) - ele relata que duas vezes por semana tinha aulas de Regional com Mestre Suassuna, e outros dois de Angola com Mestre Brasília. Esse modelo multiplicou-se por todo o Estado e por sua vez para todo o Brasil (sendo ou não à partir de São Paulo).
 
Essa fusão de estilos, enriquecido com a Capoeira Carioca trazida pelos mestres Waldemar Alfaiate e Paulo Gomes, é o que resultou em uma capoeira rica e conflitante na capital paulista, tendo seu nascedouro no início dos anos 60 até meados dos anos 70.
 
Rica por conta de ter incorporado, sem restrições, sem seleção, sem regionalismo, toda contribuição das Capoeiras carioca e baiana. Conflitante pelo questionamento excessivo aos mestres paulistas, por estes não serem exclusivamente nem angola nem regional, nem Rio e nem Bahia. Conflitante também pelo caráter inovador de uma capoeira tratada nem tanto como folclore, como era o caso da - na época - quase esquecida angola, nem tanto como luta, como a Capoeira Utilitária do Rio.
 
Os mestres Paulo Gomes e Djamir Pinatti  lutaram muito para que a Capoeira fosse reconhecida, na época, exclusivamente como esporte. E durante quase duas décadas a maioria do grupos - não só em São Paulo, mas em quase todo o Brasil - enfatizaram esta face da Capoeiragem.
 
Portanto, em tempos de ditadura, a Capoeira enquanto esporte era uma forma do próprio governo, e das forças militares, "permitir" certo grau de ascensão de nossa arte. Segundo Mestre Pinatti, para que se pudessse sair do Brasil, o "esportista" tinha que estar vinculado à uma Federação - no caso a Federação Paulista de Capoeria (FPC) - caso contrário o Governo (Militar) não permitia. Tanto é que para a saída de Mestre Acordeon, Pinatti, então representando a FPC, foi quem assinou tal aval.
 
Mestre Pinatti, ao ser questionado sobre aquela época, diz que faria tudo novamente, ou seja, teria lutado de qualquer forma por nossa Capoeira. Todavia, a forma de trabalhar nossa Capoeira seria muito mais pelo seu lado cultura e manifestação do povo brasileiro, do que investir de forma insistente na face esporte.
 
O Grupo Cativeiro Capoeira, formado pelos mestres Miguel, Caio, Belisco, Eli Pimenta foi um dos grupos que mais lutou contra a Capoeira Federativa enquanto esporte. A própria resistência, por certo tempo, de uso da graduação da Federação Paulista de Capoeira - primeira federação dedicada à capoeira - e da Confederação Brasileira de Capoeira (CBC), foi uma forma de protesto. Hoje, apesar de o grupo ter adotada a graduação com base nas cores da bandeira brasileira, parte do grupo, até sob a forma um tanto inusitada, está retornando às origens, voltando a utilizar os cordões em cores que simbolizam a religiosidade afro-brasileira. Parabenizamos o grupo Cativeiro por este exemplo de resistência e a valorização da Africanidade, tão ausente de nossa arte nos dias de hoje.
 
Em Piracicaba, interior paulista (SP), Claudival da Costa (Mestre Cosmo) foi um dos primeiros formados pelo Cativeiro. Tal formatura se deu em 1979, na cidade de Ribeirão Preto.
 
Fruto do excelente trabalho desempenhado por Mestre Cosmo, em Piracicaba formou-se excelentes Capoeiras. Zequinha, Saruê, Djop, Candinho e Geninho foram os professores formados por Cosmo.
 
Mas voltando um pouco no tempo, no ano de 1975 o jovem José Almeida Filho (Zequinha), ainda com seus 16 anos de idade, iniciou-se na Capoeira. Em 1978, três anos após sua iniciação na arte, conhece mestre Cosmo e passa a treinar com ele. Em 1979 vai para Ribeirão Preto, onde recebe oficialmente sua primeira graduação. Na mesma ocasião Mestre Miguel forma Mestre Cosmo como professor do Grupo Cativeiro (Cordão Vermelho e Branco). Em meados da década dos 80, Zequinha, recém formado pelo Cativeiro, vai à Bahia e volta encantado com a Capoeira Angola.
 
De forma gradativa e paciente, Mestre Zequinha passa a dedicar-se mais e mais à angola. Retorna à Bahia por diversas vezes, conhecendo os principais mestres angoleiros ainda em atividade no final dos anos 80 e início dos 90.
 
No início dos anos 90, no Estado de São Paulo, raramente se ouvia falar em Mestres e grupos que trabalhassem exclusivamente a Angola. Não que por aqui não tivessem angoleiros.
 
Os próprios mestres Ananias, Paulo Limão e Brasília, todos reconhecidos como excelentes angoleiros, conheciam esta forma de Capoeira, todavia não desenvolviam nenhum trabalho especificamente dentro dos fundamentos da Angola de então. Salvo engano, os únicos mestres que desenvolviam trabalho de angola em São Paulo era os Mestres Pé-de-Chumbo, e pouco mais adiante o Mestre Jogo-de-Dentro.
 
Com a revitalização e reorganização da Angola - tanto na Bahia, quando em São Paulo, no Brasil e no Mundo - vieram ao público os mestres Francisco 45 (Mestre Bigo) e Gaguinho, ambos com passagem pelo Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) de Mestre Pastinha. Gaguinho, até onde vai meu conhecimento, não desenvolveu nenhum trabalho de Capoeira Angola em terras paulistas. Mestre Bigo, até 1999 - quando conheci-o em companhia de Mestre Robinho Angoleiro - desenvolvia trabalho de Capoeira Contemporânea ou Regional. Eu ousaria dizer que Robinho foi um dos co-responsáveis pelo fato de Mestre Bigo ter retornado à Angola. Sendo justo ressaltar que Mestre Jogo-de-Dentro e o contramestre Plínio também estenderam a ele, possibilitando que o mesmo se firmasse na Angola Paulistana.
 
Parabéns Mestre Zequinha!
 
Neste mês (Abril de 2005) Mestre Zequinha completa trinta anos de dedicação à Capoeira Angola. O Raiz de Angola (grupo formado pelo Zequinha em 1996), conta, atualmente, com a participação dos professores Tim-Tim (hoje por Manaus-AM) e Lampião, e dos trenéis Meia-Noite (Grande Mid-Night!) e Jubileu.
 
O Grupo tem como padrinho os mestres Lua de Bobó e Boca Rica, ambos angoleiros da Bahia. Digamos então que em piracicaba temos um pouco da linhagem de Mestre Bobó, de Pastinha (por conta da passagem de Mestre Boca Rica pelo CECA), e por que não dizer de Waldemar da Paixão (por conta dos ensinamentos assimilados por Mestre Miguel com o próprio Waldemar, e repassados aos Mestres Cosmo, Zequinha e tantos outros mestres).
 
Mestre Zequinha é um dos grandes representantes da Capoeira de seu Cosmão! Sendo, atualmente, ladeado pelos mestres Geninho, Vitor Mangue Seco  e Mysso e pelos contramestres Vandeco, Beto Lobo e Boca. Além, é claro do senhor Dorival A. Medeiros, conhecido e respeitado nas rodas piracicabanas como VAL!
 
Ao lado dos acervos capoeirísticos dos saudosos Mestres Cosmos & Xerife (Edsel Clemente), citamos o riquíssimo arquivo de Mestre Zequinha. Além de trabalhar pela Capoeira e de ter criado a primeira escola de Capoeira Angola de piracicaba, Zequinha deu também duas contribuições valiosas: 1. O jornal VADIANDO (que após a sétima edição está passando por uma fase de reestruturação, mas promete voltar a circular na região! Aguardem) e 2. Um CD de Angola, lançado no VI Encontro de Capoeira da Escola Raiz de Angola (2003). A foto ilustrativa desta matéria foi tirada nesse evento: Prof. Natalino Gabriel, Mestre Cosmo, Mestre Zequinha & Mestre Boca Rica (acervo Prof. Saci/SJCampos).
 
Parabéns mestre Zequinha pelas três décadas de luta por nossa mandingueira chamada Capoeira. Que teu "Ilê" esteja sempre em festa! Com você a Capoeira de Mestre Cosmo jamais deixará de ser lembrada e de ser louvada!
 
Iê Viva nosso Mestre!
Iê, o Mestre Cosmo, Camará!
 
 


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