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Jornal do CAPOEIRA
Desde: 28/10/2004      Publicadas: 1050      Atualização: 18/06/2006

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 NOTÍCIAS

  22/05/2006
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Piracicaba :: Mestre Eldinho "Cabello" - Porta-voz da cultura afro

Piracicaba :: Mestre Eldinho Coquinho Baiano

Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br

Edição 74 - de 21 a 27 de Maio de 2006

 

Jornal do Capoeira

jornaldocapoeira@yahoo.com.br

Piracicaba, SP - Maio de 2006

 

 


Nota do Editor
        De Piracicaba meu irmão Cabelo (Ariovaldo José Ribeiro) liga para avisar que o Jornal de Piracicaba acaba de publicar uma nota sobre o capoeira piracicabano Mestre Cabello (Eldio Basso Rolim Filho). Com emoção Cabelo (meu irmão) relembra algumas rodas no QG do Cativeiro - Rua Voluntários 1232-, na Rua do Porto, no Parque da ESALQ e nos carnavais de rua. Tempo em que a capoeiragem tinha a frente sempre os mestres Cosmo, Zequinha e Saruê, com a participação dos sempre veteranos Val, Totó, Vandeco, Djop, Vitor "Mangue Seco", Candinho, Geninho, e nós os mais jovens: Mysso, Boca, Soró, Butu, Ribeiro, Romão, Bezerra, Souza "Delegado", Cabelo & Cabello. Na época (finalzinho dos 80) não se tinha ainda um trabalho de capoeira angola estabelecido na cidade. Abem da verdade foi quando mestre Zequinha estava "garimpando" fundamentos pela Boa Terra.

        Eldinho (Cabello), filho de família tradicional e de boas condições (dos Basso Rolim), sempre foi um grande capoeira, ensinou no Ventania no final da década dos 80, sob a supervisão do então professor Zequinha. Aproveitando as boas condições, Eldinho seguiu para os Estados Unidos onde acabou se achegando ao Mestre João Grande, angoleiro da linhagem pastiniana. Foi o suficiente para Eldinho passar quase vinte anos acompanhando e aprendendo com o mestre. Semana passada ele (Cabello) esteve em visita à sua família que continua residindo em Piracicaba e, certamente, não se fez de rogado e deu sua vadiada no Terreiro de Mestre Zequinha - Escola Raiz de Angola.

       

                        Miltinho Astronauta


Porta-voz da cultura afro

Jornal de Piracicaba

www.jornaldepiracicaba.com.br

 

            O piracicabano Eldio Basso Rolim Filho, ganhou o mundo quando tinha 23 anos. Foi para os Estados Unidos e lá ficou por mais de 20 anos. Conhecido internacionalmente como Cabello, se transformou em uma referência da cultura afro-brasileira por divulgar a capoeira, ser percussionista, artesão e integrar uma das maiores companhias de sapateado do mundo, a Urban Tap ("sapateado urbano", aquele feito na rua e baseado na improvisação. De volta ao país e morando na Bahia, Cabello esteve em Piracicaba visitando seus pais. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, disse que vai continuar trabalhando no exterior, mas quer popularizar a cultura em terras tupiniquins.
            O interesse pelas manifestações de origem africana começou em Piracicaba, quando Cabello conheceu a capoeira. "Comecei com o mestre Gil, do grupo Novo Engenho, depois tive contato com os mestres Suassuna, Cosme e Zequinha", fala o capoeirista. "Dou aulas no mundo todo e sempre entre uma viagem e outra venho para Piracicaba. Acabei de chegar da Nova Zelândia. Cresci e vivi aqui, no Centro e na Paulista, pois meu pai era um comerciante famoso, dono das lojas O Cacau", conta.
            Foi depois de 1990 que a carreira de Cabello decolou. "Fui morar em uma comunidade de artistas, na Califórnia. Trocava as aulas de capoeira pela moradia. Depois mudei para Nova York, pois naquela época a dança e a música dominavam a cidade", fala. Lá Cabello conheceu o mestre da capoeira de Angola, João Grande, e conseguiu entrar como performer no circuito de artes de Nova York.

 

            URBAN TAP - Entre um show e outro, o capoerista conheceu Tamango, um mestre do sapateado que realizava shows em East Village - bairro de artistas dos anos 80. "Ele sempre me chamava para participar das jams (sessões de improvisação) com percussão e capoeira. Trabalho com a Urban Tap, ou seja com o Tamango, desde 1995, com shows marcados até 2007", conta.
            As apresentações da trupe são baseadas na improvisação. "Descobri que o sapateado e a capoeira são irmãos de origem, como o samba, o candomblé, o folclore, o jazz americano. Se não tivéssemos a influência africana, não existiria o que hoje chamamos de cultura brasileira".

            CAXIXI - E como todo bom capoeirista, Cabello não poderia deixar de fazer seus próprios instrumentos de percussão, como o caxixi - de origem africana, que se tornou popular no Brasil acompanhando o berimbau. "Ele é todo orgânico, feito com tiras de cipó trançadas e sementes. Consegui produzir um instrumento que tem um som particular e sobretudo brasileiro", conta. "Quando viajo, todos querem os meus caxixis. Resolvi criar uma empresa e hoje vendo para o mundo".
            Segundo Cabello, os sapateadores e capoeiristas são embaixadores da cultura afro-brasileira no exterior e o país já é respeitado por isso. "As pessoas já reconhecem o Brasil por essa arte transmitida pela cultura oral. Agora estou morando em Ilhéus, na Bahia, onde criei a Fazenda Cultural Ouro Verde para promover cursos e workshops. Preciso respirar o ar brasileiro para poder disseminar nossa arte pelo mundo", confessa o piracicabano.

Fotos: www.mandinga.org - mestre Marcelo


2006 - Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira







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